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[Dia 14 desafio 30 dias de escrita] Sobre manter um caderno

Nesse pouco tempo (ao lado de anos de vida) que tenho escrevendo um diário, quando compartilho uma foto ou vídeo sobre ele, sempre recebo perguntas sobre o que escrevo, o que eu uso, qual caderno, qual caneta. Para mim, são perguntas tão simples… Mas às vezes, lembro que eu também faço perguntas que parecem simples, mas que não tenho certo conhecimento.

Foto de Polina no Pexels

Eu respondo o seguinte: escrevo o que está passando pela minha cabeça no momento em que escrevo, como se fosse uma transcrição simultânea. Escrevo em momentos diferentes do dia. Escrevo de manhã, enquanto tomo o café da manhã ou logo após o café. Mas ao longo do dia também vou registrando pensamentos, algo que li ou ouvi, recomendações de livros, músicas, filmes e séries. Faço listas de todos os tipos.

Para quem tem dificuldade de se abrir, porque a escrita do diário é meio que se abrir para você mesmo, existem prompts, listas com temas para escrever. Eu, particularmente, não gosto de usar esse tipo de ferramenta. Acho que perde um pouco da essência. Penso que é uma forma de se forçar a escrever.

Diários podem ser temáticos, temporários, como diário de férias, por exemplo, ou de viagem. Você não é obrigado a escrever um diário se não sente vontade de escrever um. Sinto que uma parte das pessoas acaba se sentindo “obrigada” porque todo mundo na internet está mostrando seus cadernos com capas de couro. Tem uma frase da Joan Didion no ensaio Sobre ter um caderno na coletânea de ensaios Rastejando até Belém, que acho que resume diaristas de não diaristas, embora ela não fosse adepta do diário. Ela diz:

Eu sinto que é exatamente isso. Um impulso de tomar notas, de escrever. Percebo que, hoje, eu uso o diário para pensar e não para registar um pensamento. Vou pensando enquanto escrevo. É exatamente o que estou neste momento em que escrevo estas palavras,

Não tenho pretensão de passar nenhuma dica que possa te ajudar a escrever um diário. Se você não consegue, talvez ainda não seja o seu momento, porque é como a Didion falou: é um impulso, uma necessidade de anotar. Colecionar cadernos. Mas você pode continuar tentando até que esse impulso surja em você. Acredito que quanto mais a gente escreve, sentimos maior necessidade de escrever. Portanto, se eu puder deixar uma dica, ela é: mantenha um caderno e uma caneta sempre com você. Em todos os momentos do dia (menos no banheiro, por favor!). Mas se você não sente esse impulso, essa necessidade, não se force. Existem outras formas de manter cadernos. Falarei sobre isso em outro post.

Por hoje, é isso.

Até amanhã!

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Referência:

Didion, Joan. Rastejando até Belém: Ensaios: Joan Didion. Tradução: Maria Cecilia Brandi São Paulo: Todavia, 1ª ed., 2021.

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