No último post, comentei que comecei a trabalhar como CLT novamente. Ainda estou me ajustando à nova rotina. Na verdade, na próxima semana ela vai mudar mais um pouquinho porque irei para o meu horário definitivo. Confesso que estou frustrada por não conseguir escrever durante esses dias. Até mesmo escrever no diário não está fácil, mesmo carregando-o comigo.
Falando em diário, mudei mais uma vez. Agora estou usando um caderno A5 com 400 páginas. Tudo, absolutamente qualquer anotação, vai para ele. Eu amei. Como eu disse, é um caderno A5 (feito por mim. Se você gostou, pode mandar uma mensagem e encomendar o seu), com folhas brancas lisas (ainda não consegui comprar meu chamex marfim e nem quero por agora, pois o risco de fazer outro caderno e abandonar esse é alto), dois fitilhos e capa flexível (ele é a minha versão do Moleskine expanded, fui olhar se escrevi expandido certo e vi que ele está num preço muito bom na Amazon).
Meu caderno A5
Apesar de estar escrevendo pouco, tenho mantido o Bullet Journal, que não deixa de ser uma forma de fazer um diário.
O que eu quero dizer com tudo isso é que tenho usado o caderno para pensar e escrever o que estou pensando. Antes, eu pensava antes de escrever, agora sinto que vou pensando à medida em que vou escrevendo. O que tem me frustrado no trabalho é justamente a impossibilidade de poder escrever. São algumas horas em que me sinto incompleta sem o meu caderno do lado.
Agora, falando sobre coisas bobas. Ontem, pela segunda vez em menos de 30 dias, perdi outra caneta. Na verdade, a tinta subiu e chegou a vazar. Ainda bem que não chegou a explodir totalmente, se não, perderia o caderno, pois deixo ela dentro dele.
Por hoje é isso.
Até amanhã (🙏🏽)
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Caro leitor, escrevo para você que está lendo este texto e, se está aqui, é porque as temáticas sobre as quais escrevo também te interessam.
Desde a última quinta-feira, minha vida sofreu uma reviravolta. Decidi voltar a trabalhar (CLT) e ainda estou me adaptando aos novos horários e, por isso, não escrevi e postei aqui nos últimos dias. Continuo com o objetivo de escrever todos os dias e postar aqui, assim como preciso escrever todos os dias para a minha dissertação.
Acredito que os formatos dos textos podem variar. Tenho pensado em tornar esse espaço um diário, embora eu já ache que é isso mesmo.
Pretendo trazer pequenos pedaços do meu dia, uma foto, um vídeo curto.
Foto da minha galeria que tirei hoje (Kenedy)
Como estarei fora de casa boa parte do meu tempo, a alteração na rotina também gerou alteração no uso dos meus cadernos. Quero ter tudo comigo e, ao mesmo tempo, quero sair com o menor peso possível. A princípio, pensei em usar uma capa do tamanho personal para usar na rua e passar tudo a limpo no dia da minha folga. Hoje, decidi continuar com os cadernos A5 que eu mesma faço. A ideia de ter um padrão de tamanho e material da capa continua firme, mas resolvi fazer um novo teste. Um caderno para tudo. Um caderno mensal.
Foto do meu caderno (planner semanal +. Bullet Journal)
Resolvi começar com o caderno que já estou usando como diário. Além do diário, usarei o método Bullet Journal e adicionarei uma página com layout semanal para usar como planner. Também farei listas (adoro listas!), habit tracker etc. Será que vai funcionar? Até quando?
Acho que o ponto importante nesse meu sistema é a liberdade de poder trocar a qualquer momento sem prejuízo financeiro, por exemplo. Nada é perdido. Enfim. Preciso começar a me organizar para ir trabalhar.
O Bullet Journal é um método desenvolvido por Ryder Carroll onde você concentra toda a sua vida, enquanto o diário é um registro de como são os seus dias, o que você sente, com quem conversou ou saiu, etc.
O diário pode estar dentro do bullet journal, mas o inverso não acontece. A ideia por trás do BuJo é simplificar as anotações por isso elas são feitas em tópicos usando marcadores e símbolos. Já no diário, geralmente, os registros são feitos em formato de texto, o que dificulta encontrar determinadas informações, por exemplo.
No Bullet Journal, você pode usar o símbolo “+” ao lado de uma nota para sinalizar que vai aprofundá-la mais adiante. O diário pode ser feito com desenhos, colagens, etc. Você pode usar esses recursos no BuJo, mas, neste caso, é apenas complemento. No diário, estes recursos podem ser utilizados de forma isolada.
Eu mantenho as coisas separadas. Tenho um caderno para o bullet journal e outro para o diário. Uso um sistema de comunicação entre eles. Por exemplo: no BuJo, registro que comecei a ler A vida que vale a pena ser vivida do professor Clóvis de Barros. No diário, registro algo relacionado a essa leitura. O que eu faço no BuJo é colocar uma nota assim: ver pág X do diário.
Em 2026, resolvi usar uma capa de couro com sistema de elásticos aos quais os cadernos são presos. (lembrando que até o fim do ano tudo pode mudar a qualquer momento) Estou usando três cadernos:
Cada caderno recebe uma numeração (uma etiqueta) assim: 2026.1, 2026.2, 2026.3 e assim por diante. Eu mesma faço os cadernos (você pode comprar o seu na minha loja na Shopee) com 60 páginas no tamanho A5. No primeiro caderno que comecei em janeiro, numerei as páginas de 01 a 60. No segundo caderno, a primeira página é 61 e vai até 91. O terceiro caderno inicia em 92 e assim sucessivamente.
Caderno A5
A ideia é, no final do ano, fazer 03 capas para cada caderno (diário, BuJo e CPB) costurando todos os cadernos que usei durante o ano. Mostrarei o resultado aqui e no canal no YouTube.
Por hoje é isso. Se você tiver dúvidas ou se quiser compartilhar como você está se organizando em 2026, deixe um comentário.
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Assim como acontece com a maioria das pessoas, criei uma ideia errada do que era bullet journal ao ver milhares e milhares de fotos no Instagram e Pinterest sobre bullet journal. Eu via todo mundo usando e falando sobre isso nas redes sociais e eu também queria usar. Mas não sei desenhar. Não tenho grana para comprar um Moleskine ou um Lechtrum, nem os marcadores Mildliner. Em resumo: as redes sociais contribuíram para difundir uma ideia errada do que é o bullet journal.
Tentei usar o método algumas vezes, mas acabei abandonando por não ter tudo o que listei acima. Mas eu nao desisto das coisas com facilidade. Por isso, depois de algum tempo, resolvi tentar mais uma vez, mas decidir começar de forma diferente: decidi ler o livro e depois partir para a prática. E assim eu fiz.
Foi apenas depois de ler o livro que entendi que a ideia por trás do método é muito simples.
Para fazer um bullet journal, você precisa apenas de um caderno (qualquer um, de qualquer tamanho) e algo para escrever (caneta, lápis, lapiseira). Todo o resto e frufru.
Uso o método desde 2020. Inclusive, comecei um diário no bullet journal que é um diário em tópicos.
Mas, diferente do que outros blogs e redes sociais apresentam, vou te apresentar o método e como utilizá-lo, mas sempre recomendo a leitura do livro escrito pelo criador do método.
Mas o que é Bullet journal?
Para Ryder Carroll, Bullet Journal é “um cruzamento de agenda, diário, bloco de anotações, lista de afazeres e caderno de desenho. [...] uma ferramenta prática e generosa para organizar a mente.” Acho que podemos chamá-lo também de caderno de tudo, outra forma de nomear o Commonplace Book (falarei sobre ele em outro post).
Há quem utilize o método no digital, mas o princípio do bujo é proporcionar foco e sabemos muito bem que quando estamos no celular ou computador, focar em uma atividade demanda muita força de vontade. Portanto, o ideal é usar um caderno e uma caneta para escrever e dessa forma, ter maior foco e clareza sobre aquilo que anota. Quando escrevemos à mão, precisamos pensar sobre o que escrever, o que não ocorre quando digitamos. Digitar é um ato mecânico. A gente consegue fazer isso sem pensar.
Segundo Carroll, O bujo "vai ajudá-lo a se organizar, fornecendo ferramentas e técnicas simples que darão clareza, orientação e foco a seus dias."
Como funciona o método Bullet Journal?
Embora a ideia deste post seja trazer os principais pontos que estão no livro O método bullet journal: Registre o passado, organize o presente, planeje o futuro. Mesmo assim, recomendo que leia o livro que é dividido em duas partes: o sistema e a prática. Na primeira parte, o autor fala sobre o sistema e mostra como transformar um caderno em uma ferramenta de organização. A segunda parte é prática e é resultado da “fusão de filosofias de diversas tradições que definem como viver uma vida com propósito — tanto produtiva quanto dotada de objetivo.”
O bujo é um sistema analógico que funciona como um “espaço offline necessário para processar informação, refletir e se concentrar".
Conceitos importantes do Bullet Journal:
Antes de ir para a parte prática, ou seja, montar o seu BuJo, você precisa conhecer os conceitos que estruturam o bullet journal. São eles:
Índice
Registro futuro
Registro mensal
Registro diário
Registro rápido
Coleções
Marcadores
Índice
O índice serve para localizar as informações no seu bullet journal. Para montar seu índice, separe a primeira página dupla do caderno e no topo delas escreva a palavra “Índice”. Normalmente, os cadernos que usamos não tem as páginas numeradas, por isso, para o índice funcionar, você precisa numerá-las.
Bullet journal - Índice
Registro futuro
O registro futuro (Future log) bullet journal é o espaço para planejar e acompanhar eventos, tarefas e prazos. Para escrever o registro futuro, separe 04 páginas e desenhe 03 linhas horizontais em cada uma delas em 03 partes, conforme a imagem abaixo.
Bullet journal - Registro futuro
Depois, você pode inserir as informações que você já tem relacionadas aos próximos meses, como aniversários, volta às aulas, consultas, feriados, outras datas importantes para você. O registro futuro apresenta de uma forma geral, como serão os próximos meses. Você usa essas informações para planejar o mês e os dias.
Registro mensal
O registro mensal (monthly log) mostra como será ou como foi o seu mês. Tudo que você considera importante estará lá. Para montar o seu registro mensal, separe a próxima página dupla. Na página esquerda, anote o nome do mês no topo da página e depois liste os dias da semana de 01 a 31. Ao lado de cada número, escreva a letra que corresponde ao dia da semana. Na página da direita, escreva a lista de tarefas do mês usando marcadores para categorizá-las (falo sobre eles mais adiante). Algumas pessoas gostam de criar uma capa para o mês, mas isso é opcional. Além disso, você pode começar o registro mensal a partir do mês em que você está ou vai iniciar o bujo, ou seja, não precisa incluir o mês de janeiro, por exemplo (estou escrevendo este post no dia 18 de fevereiro de 2026).
Bullet journal - Registro mensal
Registro diário
No registro diário, anotamos tarefas, compromissos, ideias, lembretes, sensações. Para iniciar seu registro diário, pela manhã ou na noite anterior, escreva a data e o dia da semana no topo da página (por exemplo, 18/02 qua). Em seguida, consulte o registro futuro e o registro mensal e veja se tem algo programado para aquele dia. E, durante o dia, registre tudo utilizando o registro rápido, utilizando marcadores para classificar as notas e facilitar sua localização. É recomendado que o registro seja feito de forma concisa, em uma ou duas linhas, mas de uma forma que você consiga entendê-las no futuro.
Bullet journal - registro diário
Registro rápido
O registro rápido é a maneira como inserimos as informações no BuJo utilizando marcadores.
Marcadores
No Bullet journal, os marcadores são sinais utilizados para categorizar as anotações para identificá-las de maneira mais rápida. Os mais comuns são:
Bullet journal - marcadores
Coleções
São notas que compartilham um mesmo tema, por exemplo:
lista de livros lidos
lista de compras.
Neste caso, anota-se o nome do tópico no topo da página e em seguida, escreve as anotações utilizando marcadores. E também deve anotar o nome da coleção e a página no índice.
Esses conceitos são a base do bullet journal, mas você pode incluir mais informações no seu bujo, como:
rastreador de hábitos (habit tracker)
rastreador de humor (mood tracker)
registro financeiro
Para quem gosta de um diário mais tradicional pode utilizar o que Carroll chama de Long-form Bullet Journaling. Entradas mais longas do que a proposta do bujo. Neste caso, você utiliza o sinal de + para indicar que vai escrever um pouco mais sobre aquele assunto.
Como fazer um bullet journal minimalista
Um bullet journal minimalista é aquele que segue a risca, o método, sem firulas. Apenas um caderno e algo para escrever (caneta, lápis, etc.)
1º passo: escolha um caderno.
Recomendo escolher um caderno simples e barato para você testar o método. Se funcionar para você, então você compra um caderno mais bonito e caro. Escrevi um post ensinando a fazer um caderno simples, como o que eu utilizo. Também tenho o no qual falo sobre como fazer este caderno.
2º passo: Numere, inicialmente, as primeiras 20 páginas do caderno.
3º passo: Ao abrir o caderno, você vai ter a folha de guarda. Considere ela como a pagina 01. No topo da folha seguinte (esquerda), a pagina 2, escreva “Índice”. Faça o mesmo na página da direita. Você pode deixar mais páginas disponíveis, mas não lembro de ter usado mais do que duas.
4º passo: Nas próximas páginas, você vai fazer o registro do futuro (Future Log). Para isso, reserve 04 páginas. Divida cada uma delas em 3 seções e escreva o nome dos meses em cada uma dessas seções.
Volte ao índice e escreva registro futuro: 04-07.
5º passo: Nas duas páginas seguintes (08 e 09), você vai montar o registro mensal. No topo das duas páginas, escreva o nome do mês que você está ou do próximo mês. Uma das coisas favoritas para mim do método é a possibilidade de começar um bullet journal a qualquer momento. Na página da esquerda, escreva os números de 01 a 30 (ou 31) e ao lado, a letra que corresponde ao dia da semana. Na página da direita, você deve escrever as tarefas daquele mês.
6º Passo: Passe mais uma folha, ou seja, vá para a folha 08 e escreva a data e o dia da semana, por exemplo: 04/01 dom.
No final do mês, você cria outro registro mensal. Porém, antes de anotar as tarefas para o novo mês, retorne ao registro mensal do mês que está terminando. Marque o que foi concluído e pense sobre o que não foi concluído. Ainda é importante? Se sim, migre para o registro do novo mês utilizando o marcador (>). Nessa etapa, volte aos registros diários e mensal. Se alguma tarefa não foi concluída e você pretende voltar a ela em algum momento, marque-a com o seguinte marcador (<) e anote-a no registro futuro. Essa ação chama-se migração e permite recategorizar e reavaliar tarefas. Também é possível fazer migração anual e entre cadernos/ bullet journals, mas aí já vamos para um tópico mais avançado que deixarei para um outro post.
Principais erros ao fazer um bullet journal
Uma das coisas que causa bloqueios quando falamos em bullet journal na internet é que as pessoas montam o bujo do mes inteiro de uma vez e nao é assim que o autor propõe. Não sei como é a sua rotina, mas depois de fazer a sua rotina matinal, a primeira coisa que voce deve fazer é pegar seu bullet journal e iniciar o registro diário. Voce pode comecar o registro de hoje, por exemplo, abaixo do registro de ontem, caso tenha sobrado espaco. O registro mensal, voce deve iniciar no final do mes. Seguindo essas dicas do Ryder Carroll voce tem mais chances de conseguir usar o bullet journal.
Que caderno usar para fazer um bullet journal
Normalmente, para fazer um bullet joirnal, as pessoas usam cadernos tipo Moleskine, Cicero e LEUCHTTURM1917. Mas, como eu disse, qualquer caderno serve. Eu ja usei Moleskine e Cicero. Atualmente, prefiro usar cadernos do tipo brochura ou revista que eu mesma faço (link da minha loja na Shopee). Caso queira, tenho uma lojinha na Shopee onde você pode adquirir cadernos feitos por mim. E uma forma de apoiar o meu trabalho já que não ganho nada escrevendo aqui. Faço por amor e por acreditar que um dia conseguirei pagar as minhas contas com a minha escrita. Mas deixarei alguns links dos cadernos mais usados para Bullet journal.
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Obs 2: Este é o texto 17 do desafio 30 dias de escrita.
Virginia Woolf manteve um diário ao longo de 44 dos seus 59 anos de vida. Ela foi encontrando uma forma para seu diário. Não é apenas um diário íntimo de uma mulher inglesa do início do século XX. Woolf é uma das escritoras do século XX. Viveu as duas grandes guerras mundiais. Escreveu ficção, ensaios, crítica literária e contos. Era integrante do Bloomsbury Group, um ciclo de intelectuais que contestavam as tradições literárias, políticas e sociais da Era Vitoriana. Woolf, assim como James Joyce e William Faulkner, é considerada uma das criadoras do fluxo de consciência, técnica narrativa que tenta representar o fluxo não linear do pensamento.
Virginia Woolf
Rotina de escrita de Virginia Woolf
A rotina escrita de Virginia Woolf era mais ou menos a seguinte:
09:30 às 12h - escrita: ficção ou resenhas;
Almoço;
Revisão;
Caminhada;
15 às 18h - Hora do chá;
Escrita: diário e/ou cartas;
Leitura, visitas.
Como escrever um diário como Virginia Woolf
Abaixo, apresento alguns pontos com os quais você pode se inspirar para iniciar ou incrementar sua prática diarística a partir da prática de Virginia Woolf.
Muita repetição e zero expectativas
Um diário é composto de muita repetição, a menos que você tenha uma vida bem movimentada, sem rotina. Além disso, você deve ter em mente que não está escrevendo um livro de ficção ou escrevendo para que outras pessoas leiam, embora, caso você queira, pode publicar, mas neste caso, ainda há um processo de edição. Um diário não é publicado exatamente como ele foi escrito (assunto para outro texto).
No começo é mais difícil escrever todos os dias, mas se você quer escrever um diário, seja lá por qual motivo, deve se obrigar a sentar e escrever todos os dias. Mesmo que seja uma frase, um parágrafo. Eu fazia a mesma coisa quando estava criando o hábito de ler. Lia nem que fosse uma frase. Depois que ler se tornou um hábito como escovar dentes, o processo acontece de forma natural.
Com o diário, sinto que quanto mais escrevo, mais quero escrever.
Arquivo
Penso no diário como um arquivo. Embora haja repetições nos registros, também há entradas que no futuro podem ter conteúdo histórico. Vou dar um exemplo bem sem importância para muitas pessoas, mas importante para mim. Em abril, a banda Guns'n Roses vai tocar em Salvador. Isso é um acontecimento histórico e, com certeza, será registrado no meu diário. Outros assuntos históricos que a gente registra no diário: catástrofes, eleições, o carnaval de 2026, etc.
Além desse tipo de conteúdo, você pode escrever sobre o que fez, quer fazer, o que não fez. Com quem conversou, sobre o tema da conversa. Registre suas leituras, filmes e séries, quais músicas você está ouvindo.
Observação X Confissão
No diário, conforme a prática de Virginia Woolf, devemos focar em observar a si mesmo e ao mundo ao invés de apenas se confessar, escrever sobre seus sentimentos. Recorrer mais aos sentidos, a sensações sensoriais (ficou estranho, né?) Por exemplo: descrever a luz do sol durante a golden hour e como você se sente ao contemplar essa imagem. Qual a sensação que a luz do sol causa em você, nos seus olhos, na sua pele.
Escrever rapidamente
No primeiro tópico, falei que, seguindo a maneira como Woolf escreveu em seu diário, devemos escrever sem expectativas literárias. Escrever sem pensar muito, economizando palavras para escrever mais rápido. Recorrer a símbolos, abreviações, não se preocupar com organização, precisão das palavras, perfeição gramatical. Esse tipo de preocupação trava, bloqueia a escrita.
refletir sobre a própria escrita
Use o espaço do diário para escrever sobre a sua dificuldade para escrever. Virginia Woolf fazia isso e eu também faço.
Fazer associações
Nosso pensamento não é linear. Ele é mais como um nó ou associações. Um pensamento leva a outro e assim por diante. Então, siga o fluxo que a sua mente te apresentar. Uma entrada pode se conectar a outra(s).
Esteja aberto a pensar
O diário é uma ferramenta, um espaço para a gente conversar consigo mesmos. Faça perguntas, escreva sobre seus sentimentos, preocupações, pensamentos, desejos, sobre sua saúde, seus relacionamentos. Ele também era um espaço para testar sua escrita ficcional. Às vezes, ela desenhava a estrutura de um romance como Mrs. Dalloway (1925) ou Ao Farol (1927), por exemplo. Ela fazia muitas descrições da natureza e de pessoas. Isso ajudava na hora de criar personagens ou descrever um ambiente.
Trechos dos diários de Virginia Woolf
Recém-chegada do Pentecostes em Rodmell, & prestes a sair para ver Nessa & Angelica na Gordon Square; daí que o meu diário ficará prejudicado; sufocado pelo excesso de via. O que ficou por registrar entope a minha caneta. (p. 52)
por outro lado, sobre o que devo escrever aqui a não ser sobre a minha escrita? É estranho como a moralidade convencional sempre entra pelo meio. Não se deve falar de si mesmo etc.; deve-se evitar a vaidade etc. Mesmo na mais completa privacidade esses fantasmas deslizam entre mim & a página. Mas agora preciso interromper para ir ao correio… (p. 71)
Com frequencia sinto os diferentes aspectos da vida estilhaçando minha cabeça em pedacinhos. (p. 54)
Como eu rabisco!; & que serventia tudo isso terá na minha idade avançada, quando eu escrever minhas memórias? (Woolf, 2023, p. 68)
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Ontem, deliberadamente, resolvi não escrever. Respeitei meu corpo. No domingo, meu marido, finalmente, decidiu trabalhar na nossa nova mesa de jantar.
A nossa mesa era de vidro, retangular, com 06 cadeiras. A mesa foi de um cliente dele. Quando vi a mesa, me apaixonei. Mas, meu senso estético foi mudando ao longo dos anos e ela passou a me incomodar. Eu passei a desejar uma mesa de madeira (madeira mesmo, não MDF e coisas do tipo), mas isso é bem caro. Em algum momento desses anos, minha sogra me deu um pé de mesa antigo, de madeira. Guardei. Desse mesmo cliente, trouxemos umas prateleiras que era de um móvel que ele tinha, tipo uma estante, e era madeira mesmo. Guardamos. Certo dia, olhando o Pinterest, vi uma mesa hexagonal e, automaticamente, ouvi o clic na minha cabeça. Posso usar as prateleiras que guardei para fazer. Mostrei a foto a meu marido e é óbvio que ele inventou motivos para não fazer a mesa. Enfim, anos depois, ele decidiu fazer a mesa. Passamos a manha de domingo lixando a base e o tampo. Depois, foi a vez de retirar a mesa antiga para dar espaço para a nova. Aproveitei e dei fim a um rack que estava se desfazendo por conta de uma pingueira. Óbvio que me arrependi de tudo porque tive que ajudá-lo. Estávamos sozinhos em casa. A lombar e o ciático reclamavam. Tomei remédio e fui fazendo as coisas devagar. Detalhe: dois dias antes havia feito uma limpeza na minha estante. Tirei vários livros para vender/ doar. A sala estava cheia de peças de carro, produtos para carro (tudo dele). Terminamos por volta das 20h da noite. Esqueci de mencionar que eu estava acordada desde às 4h da manhã. O movimento se estendeu à cozinha. Coloquei várias coisas que a gente fica guardando para momentos especiais para usar. O resultado ficou ótimo! Fiz até um cantinho do café na sala (antes ficava na cozinha).
Minha nova mesa de jantar
O texto não era para ser sobre isso. Esse breve relato era para ser o preambulo do texto, que já nem me lembro sobre o que seria.
Ah! Lembrei!
Então, eu estava dizendo que resolvi respeitar meu corpo cansado e não escrevi o texto de ontem para publicar aqui.
Quando acordei, meu corpo inteiro doía. Tomei café, escrevi no diário e peguei o Kindle para ler. Cochilei e dormi entre às 11h e 13h. Acordei pior. Com dor de cabeça. Ainda fomos buscar minha filha na casa do namorado. Eles foram pro carnaval e ela ficou doente.
Mas como não publiquei ontem, pretendo publicar dois textos hoje. No próximo texto, falarei sobre a rotina e a prática do diário de Virginia Woolf.
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Nesse pouco tempo (ao lado de anos de vida) que tenho escrevendo um diário, quando compartilho uma foto ou vídeo sobre ele, sempre recebo perguntas sobre o que escrevo, o que eu uso, qual caderno, qual caneta. Para mim, são perguntas tão simples… Mas às vezes, lembro que eu também faço perguntas que parecem simples, mas que não tenho certo conhecimento.
Foto de Polina no Pexels
Eu respondo o seguinte: escrevo o que está passando pela minha cabeça no momento em que escrevo, como se fosse uma transcrição simultânea. Escrevo em momentos diferentes do dia. Escrevo de manhã, enquanto tomo o café da manhã ou logo após o café. Mas ao longo do dia também vou registrando pensamentos, algo que li ou ouvi, recomendações de livros, músicas, filmes e séries. Faço listas de todos os tipos.
Para quem tem dificuldade de se abrir, porque a escrita do diário é meio que se abrir para você mesmo, existem prompts, listas com temas para escrever. Eu, particularmente, não gosto de usar esse tipo de ferramenta. Acho que perde um pouco da essência. Penso que é uma forma de se forçar a escrever.
Diários podem ser temáticos, temporários, como diário de férias, por exemplo, ou de viagem. Você não é obrigado a escrever um diário se não sente vontade de escrever um. Sinto que uma parte das pessoas acaba se sentindo “obrigada” porque todo mundo na internet está mostrando seus cadernos com capas de couro. Tem uma frase da Joan Didion no ensaio Sobre ter um caderno na coletânea de ensaios Rastejando até Belém, que acho que resume diaristas de não diaristas, embora ela não fosse adepta do diário. Ela diz:
Eu sinto que é exatamente isso. Um impulso de tomar notas, de escrever. Percebo que, hoje, eu uso o diário para pensar e não para registar um pensamento. Vou pensando enquanto escrevo. É exatamente o que estou neste momento em que escrevo estas palavras,
Não tenho pretensão de passar nenhuma dica que possa te ajudar a escrever um diário. Se você não consegue, talvez ainda não seja o seu momento, porque é como a Didion falou: é um impulso, uma necessidade de anotar. Colecionar cadernos. Mas você pode continuar tentando até que esse impulso surja em você. Acredito que quanto mais a gente escreve, sentimos maior necessidade de escrever. Portanto, se eu puder deixar uma dica, ela é: mantenha um caderno e uma caneta sempre com você. Em todos os momentos do dia (menos no banheiro, por favor!). Mas se você não sente esse impulso, essa necessidade, não se force. Existem outras formas de manter cadernos. Falarei sobre isso em outro post.
Por hoje, é isso.
Até amanhã!
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Referência:
Didion, Joan. Rastejando até Belém: Ensaios: Joan Didion. Tradução: Maria Cecilia Brandi São Paulo: Todavia, 1ª ed., 2021.
Apesar de ter uma lista de alguns assuntos que quero tratar aqui, sempre vou pelo momento. Hoje, falarei um pouco sobre minhas leituras.
Me considero uma péssima leitora. Tenho lido mais no Kindle, comprando na Amazon ou baixando. Comecei esse movimento quando estava lendo Guerra e Paz na edição da Cosac Naify. Passei um sábado inteiro lendo o livro. Depois de alguns dias, comecei a sentir dores nas mãos. Só depois de alguns dias consegui ligar uma coisa à outra. Outra leitura também me fez ler mais no Kindle: estou falando de Minimalismo digital: para uma vida profunda e em um mundo superficial de Cal Newport. Mas ainda tem outro ponto: a depressão. Perdi o prazer de ter a estante cheia (segundo minha psiquiatra e meu terapeuta, esse prazer voltará). Antes, ao olhar para a minha estante, eu sentia orgulho do que estava construindo. Já surtei várias vezes dizendo que ia dar fim em tudo. Isso só não aconteceu porque meu marido percebeu de onde vinha esse comportamento e me freou. Apesar disso, ano passado fiz um sebo vendendo livros a R$ 5 e R$ 10,00. Inclusive, ainda existem livros dos quais quero me desfazer. Você pode acessar a lista aqui.
Fonte: Foto de cottonbro studio no Pexels
Mas voltando à leitura.
Quando leio no livro físico ou uma impressão, costumo fazer as anotações no próprio livro. Quando sei que poderei utilizar algo daquela leitura, faço anotações no aplicativo Capacities, uma mistura de Notion com Obsidian (meu vídeo sobre o Notion). Montei meu 2º cérebro (termo criado por Tiago Forte) Lá. Estou para gravar um vídeo mostrando como funciona esse meu repositório de leituras.
Também faço anotações no meu diário ou no bullet journal porque eles sempre estão ao alcance da mão. Ando com eles pela casa. Estou sempre folheando, relendo esses cadernos, especialmente o BuJo.
Para 2026 e os anos futuros, criei um caderno de leituras, uma espécie de diário que me acompanhará toda a vida. Para completar o pacote, uso o app do Kindle no celular e computador. Uso os dois para exportar as anotações para o Readwise. Funciona assim: leio no Kindle e vou fazendo destaques e, às vezes, fazendo anotações. Quando termino a leitura, acesso um dos apps (normalmente o do computador) e exporto o arquivo para o meu Readwise que funciona como um arquivo de citações de todos os livros que já é que registrei por lá. Existem outras formas de acessar suas notas do Kindle, mas vamos deixar isso para outro momento. Por último, uso o Goodreads para catalogar os livros lidos, os que estou lendo e os que quero ler.
Pode parecer uma bagunça, mas para mim é super natural Quando estou escrevendo algum texto acadêmico, trabalho com o Google Docs, Kindle, Readwise abertos. Acho que farei um vídeo para o canal mostrando esse fluxo na prática. Ainda estou pensando se devo usar um caderno para essas anotações ou continuar usando o BuJo, ou diário.
A dúvida vem porque entendo que o Commonplace book pode funcionar como coleções do BuJo. Vamos ver. Sigo fazendo testes. Só assim posso ver o que funciona e descartar o que atrapalha.
Por hoje, é isso.
Até amanhã!
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Confesso que hoje é um daqueles dias péssimos. Aconteceu uma coisa que mudou totalmente o meu dia. Quando dei por mim, já estava limpando as estantes, tirando livros para vender, para doar. Fiquei das 9h às 13h fazendo isso. Depois almocei.
Tentei de toda forma não ouvir as vozes negativas na minha cabeça. Pensei: o que vou escrever hoje? Não quero ter que escrever, que publicar. Mas, ao mesmo tempo, meu lado racional dizia: eu tenho que publicar o texto. Fui deixando as horas passarem. Escrevi muito no meu diário. Nada de escrita e leitura para a dissertação. No feed do Instagram só tem carnaval. Passei a tarde assistindo Law & Order: SVU e salvando coisas no Pinterest.
Agora são 19:36 e enquanto tomo café pensei em assistir algo no Youtube. A primeira coisa que apareceu foi a live do cantor Bell Marques no carnaval. Deixei rolar. Enquanto isso, minha filha estava falando pelo Whatsapp que está chateada porque saiu para comprar fantasia e não comprou um item porque a amiga disse que iria emprestar. A menina furou e isso já mexeu com ela. Já queria desistir de sair.
Falei para ela a mesma coisa que estava conversando com um de meus filhos ontem Eu tenho 43 anos. Já curti carnaval, sempre na pipoca. Sempre ficava em Ondina. O look era: Short jeans, camiseta ou top, tênis velho. A gente chegava por volta das 18h em diante. Só voltava para casa com o dia claro, quando os ônibus começavam a rodar.
Fonte: Giphy
Hoje é tudo diferente.
Eles querem ir fantasiados. Tem Uber, tem metrô. Sempre digo aos meus filhos: vocês não sabem viver. Mas sei que é cultural. Outra época, outra cultura, outras cabeças.
Eu até pensei em ir no domingo assistir Alok, mas não me comprometi com ninguém porque depende de como acordarei no dia. Você saberá o resultado na segunda.
Por hoje, fico por aqui.
Até amanhã!
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Essa coisa de escrever a noite está me sabotando. Mas não consigo escrever pro blog durante o dia. Pensando bem, nunca escrevi pro blog em outro horário. Talvez esse seja um dos problemas que explica a minha falta de constância na escrita.
Pois bem. Ontem meu dia foi cheio, corrido. Quando volto da rua, só consigo vegetar. Mas estava sem conseguir me concentrar em nada. Não conseguia focar na série do momento (estou assistindo Law & Order Special Victims Unit na Globo Play), nem em vídeos do Youtube.
De repente, comecei a cantar músicas do U2 mentalmente e resolvi colocar para rodar o show da turnê 360 no Rose Bowl. Lembrei agora que meu marido voltou tarde do trabalho (por volta das 22h). Fiquei esperando por ele para tomarmos o café (não jantamos). Como eu sabia que não iríamos sair, tomei meu remédio por volta das 18:30. Pula de volta pra quando coloquei o show do U2 para tocar. Quando dei por mim, estava trabalhando em um capítulo da minha dissertação. O show tem 02h09 min de duração e consegui uma clareza de ideias que você não tem noção.
Um pouco depois de terminar o show (a gravação), meu marido chegou. Tomamos nosso café. Meus olhos já estavam colando. A cada piscada ficava mais difícil de abri-los novamente. Escovei os dentes, tomei banho e subimos para o melhor momento do dia. Deitar na minha cama, o ar condicionado ligado em 16º no modo turbo e escuro total. Até pensei em assistir mais um episódio da série, mas eu sabia que apagaria a qualquer momento.
Às 5h da manhã, Cali, um dos meus gatos (que dorme em cima de mim) pediu para sair do quarto. Abri a porta para ele. Como o quarto estava completamente escuro, não vi que o dia já estava amanhecendo, mas deduzi pelo canto dos passarinhos. Pensei que não conseguiria voltar a dormir. Peguei o Kindle e li um pouco de Os Anos Felizes: Os diários de Emilio Renzi de Ricardo Piglia. Cali pediu para entrar e voltei a dormir. Mas esqueci de contar que depois que abri a porta para ele sair, do nada lembrei do texto. Lembrei que não tinha escrito o texto do desafio. Fiquei chateadíssima comigo mesmo.
Fonte: Foto de Brett Jordan no Pexels
Fiquei pensando no que os meus leitores iriam pensar de mim, mas a graça do blog é essa: os textos nem sempre são lidos quando são postados. Geralmente leva mais tempo, ainda mais esse tipo de post que não é “educativo”, que é mais como uma conversa entre mim e eu mesma ou um leitor imaginário.
Enfim, aqui estou eu me retratando, mas não irei reiniciar o desafio. Seguirei adiante, pois o objetivo é criar um hábito e não escrever 30 textos e voltar a publicar quando der na telha. Fico por aqui.
Até amanhã!
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