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Leva-se uma vida inteira para aprender a andar pela cidade

Anotei esta frase no Google Keep porque estava no carro e seria impossível escrever e eu não queria perder essa frase. Eu estava na região do centro histórico de Salvador com meu marido. Deixamos o carro em um determinado ponto e fomos a pé ao nosso destino: uma loja de componentes eletrônicos. Na volta, contei a ele do dia em que sozinha, fui a até a Barroquinha procurando por alguns materiais para fazer cadernos. Fui até uma loja que eu já havia ido com ele e voltei. Resolvi subir pelas ruas e entrar nas lojas em busca do que precisava. Andei bastante.

Lembrei de algumas ruas que eu andava com meu pai quando ele era vivo e eu uma adolescente que saia e braço dado com ele, ja idoso. Eu adorava. Quem me conhece sabe que tenho medo de andar pelo centro. Primeiro, acho que por ser mulher. A cidade não foi feita para nós. Segundo porque eu tenho medo de entrar em lugares que não deveria entrar. Por outro lado, adoro andar pela cidade e olhar a arquitetura dos imóveis. Geralmente, faço isso com meu irmão que cursou alguns semestres de arquitetura, mas voltou para a sua formação inicial: físico. Assim como eu, ele é uma pessoa curiosa, autodidata. Ele mais do que eu.

Voltando ao dia em que andei pelo centro sozinha. Hoje, consigo me situar pelas ruas, becos e vielas mesmo sem lembrar o nome desses espaços. Nesse dia, pensei: meu pai deve estar orgulhoso de mim. Entre aqui, sai ali sem perguntar e sem Google Maps. Mas não me atrevi a fotografar porque estava sozinha.

Mercado Modelo

Cidade da música

prédio da primeira faculdade de medicina do Brasil

No meu Pinterest, você pode ver algumas das minhas fotos da cidade no meu Enfim. Comecei a escrever esse texto sem pretensão e por isso ele não tem fechamento. Ele é mais uma divagação e, por isso, vou compartilhá-lo também na newsletter.


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Sentimento de pertencimento: qual é a sua tribo?

Pensando sobre algo para escrever, lembrei do encontro de journaling que estou propondo para quem e de Salvador, e me ocorreu falar sobre pertencimento, sobre fazer parte de um grupo, uma tribo.

Na escola, todos queremos e/ou fazemos parte de uma tribo. Sempre fui melancolica, estava sempre com Walkman, depois com disc man. Influenciei amigas a gostarem de Bon Jovi, mas eu era a mais louca de todas. A epoca do ensino medio foi a epoca do Charlie Brown Jr, mas ai eu e que fui influenciada. Depois que a banda virou “global” (por causa da musica que foi abertura de Malhação), me afastei.

No final da adolescencia e inicio da fase adulta, entrei na tribo do forró. Dançava forró todo fim de semana. Não perdia um show de Calcinha Preta e da Colher de Pau (banda local). Mas, o rock continuava em paralelo. Bon Jovi, sempre, além de U2, Guns'n Roses, Red Hot Chili Pepers, etc. Também comecei a gostar de reggae: Bob Marley, Edson Gomes, Diamba (estes dois mais conhecidos localmente). Para todos os outros estilos havia uma tribo, menos para o rock.


Bella Swan reading book

Já na vida adulta, fazendo faculdade, me reaproximei do hábito de ler. Aí foi que não encontrei uma tribo mesmo. Para todo mundo que eu conhecia, ler era apenas para fazer uma prova. E para ler, eu tentava sempre me afastar. Era (e ainda é) uma forma de me isolar (só entendi isso recentemente) e estar em um grupo.

Em 2015, quando criei minha conta no Instagram que enconttrei o meu grupo, a minha bolha, a dos leitores. Aos poucos, fui retomando sonhos antigos, como escrever, estudar por prazer, ler, mas sempre de forma solitária. Minhas amigas não curtem as mesmas coisas que eu.

Foi no Instagram, também, que conheci o conceito de clube do livro (o mais próximo disso que eu cheguei foi um grupo de pesquisa na faculdade). E, mais recentemente, clube e/ou grupo de journaling que nada mais é do que a reuniao de pessoas que gostam de escrever, colar coisas em cadernos (agendas, planners, diários, entre outros). Não sei de algo assim aqui em Salvador. Então, pensei em propor isso nas redes sociais. A ideia surgiu em 2025, mas não consegui levar adiante por conta de outras demandas. Agora, temos um pequeno grupo no telegram e um encontro agendado para o último sábado de março num café meuito lindo aqui de Salvador. Aliás, outro projeto que tenho (neste caso é pessoal, mas se alguém quiser me acompanhar é só mandar mensagem) é conhecer cafés em Salvador.

Tudo isso foi apenas cpara contar que se você é de Salvador, ama papelaria, prinicpalmente, cadernos, vamos nos reunir para nos conhecermos pessoalmente, escrever, fazer colagens, trocar experiências e beber um bom café. Deixo aqui o convite para entrar no nosso grupinho no Telegram. Tenho a pretensão, também, de fazer encontros online para que pessoas que não encontram um grupo na sua cidade, possam se reunir, ainda que virtualmente. Você topa?

Desabafo: pedi demissão

 Desisti.

Se você já acompanha o blog, deve ter lido em posts anteriores que após mais de 10 anos voltei ao mercado de trabalho. Tomei a decisão sozinha ao receber a informação de que a empresa estava recrutando. Foi tudo muito rápido. Meu marido tem trabalhando muito, demais, na verdade, e eu me sinto um peso para ele (não apenas para ele). Passei por uma semana de treinamento e a semana passada já foi mão na massa. Optei por não estabelecer vínculos, então me mantinha afastada das pessoas falando apenas quando era questionada por alguém.

Durante a semana passada, a vontade de desistir era grande. Eu me via surtando no meio de todo mundo, mas, internamente, repetia para mim mesma que se outras pessoas conseguem, eu também consigo. Dizia a mim mesma para pebsar no quanto é bom ter meu próprio dinheiro, as coisas que eu poderia fazer, resolver a minha vida.

Durante o trabalho, eu até conseguia não ouvir essas vozes. Tenho duas vozes em conflito o tempo todo. Na verdade, não são apenas duas. Uma me diz para me acolher, que estou doente e me tratando. Outra me acusa de ser procrastinadora, preguiçosa. Outra me diz para sumir, desaparecer. E tem aquela que julga que tudo não passa de uma representação, que nada é real.

Na quinta, quando estava no ônibus, senti uma mudança em mim. Vontade de chorar, de sumir. Minha chefe notou. Perguntou se eu estava bem e respondi que mais ou menos. Meu marido também perguntou o que eu tinha e respondi que não era nada. Mas quando ele saiu do carro para comprar pão, chorei. Apesar disso, consegui me controlar. No sábado, acordei e estava sozinha em casa. Durante o café da manhã, comecei a chorar e não consegui parar. Mandei mensagem para meu marido. Ele largou o trabalho e veio me ver. Me amparou. Por fim, pedi demissão.

Queria muito conseguir continuar, ser uma pessoa “normal", uma pessoa adulta que trabalha, cuida da casa, do marido, dos filhos, que faz mestrado e que tenta escrever. Mas não consigo.

Pensei bastante se deveria ou não publicar este texto tão íntimo. Pensei em apagá-lo algumas vezes, mas falar (escrever, no meu caso) me faz bem. E sei que há outras pessoas tentando "ser normal", assim como eu. Pessoas que tem depressão, ansiedade e outros transtornos. A sensação de incapacidade é muito ruim. No fim, o que nos resta é tentar não sucumbir. Só há sentimentos e pensamentos negativos. Mas, por mais que a gente não acredite, não estamos sozinhos.


A viagem dos sonhos ou um estilo de vida?

Lendo o post da Jeniffer com o tema do mês no projeto Cadernos Compartilhados, lembrei desse sonho que está em espera: viajar de motorhome. Mas, na verdade, não quero apenas viajar. Quero morar num motorhome e sair pelo mundo sem data para voltar, sem roteiro rígido. Digo isso porque acompanho canais sobre motorhome e esse pessoal tem um objetivo de chegar em algum lugar, como o Alasca, por exemplo. Quero chegar lá? Sim, mas não como trabalho, sabe? Apenas ir e viver cada lugar com calma, sem pressa. Claro que compartilhando a experiência de viagem, pode acabar virando, sim, um trabalho. Acho que hoje em dia tudo descamba para esse lado, por isso tanta gente falando em produtividade. O sistema exige que a gente esteja sempre produzindo algo, que nem sempre gera um retorno financeiro. Não podemos esquecer que para produzir, precisamos investir: seja dinheiro, intelecto, força braçal ou tempo. Este blog é um exemplo disso. Dedico parte do meu dia a sentar para escrever. Para este texto chegar até você, preciso pensar sobre o que escrever, reler, editar, escolher uma imagem e publicar. Também há custo de energia, internet, desgaste do computador. Tudo sem retorno financeiro. O sistema exige a produtividade, mas não garante o retorno desse investimento. Enfim, o papo não é este.


Depois de alguns anos assistindo vídeos desses canais, lembrei que essa vontade surgiu quando era pequena e assisti a novela Ana Raio e Zé trovão na TV Manchete (antigo, muito antigo). Exibida originalmente de 12 de dezembro de 1990 a 13 de outubro de 1991 às 21h30, em 251 capítulos. (Fonte: Wikipedia). Lembro de assistir e pensar que quero morar num ônibus também.


O tempo foi passando e esqueci disso, afinal, ainda era criança naquela época. Depois, comecei a gostar de Fórmula 1. Era fã do Michael Schumacher. Quando ele se aposentou e várias regras mudaram, deixei de acompanhar. 


Mais um tempo se passou e passei a querer participar de Rally. Nunca consegui e hoje não sei se conseguiria. Muito movimento me causa dor de cabeça. E aí, conheço aquele que hoje é o meu marido, um apaixonado por carros antigos. Nos primeiros anos de relacionamento, eu ficava P da vida por causa da quantidade de tempo que ele passava mexendo no carro do pai. Não foi uma época fácil. 


Foto de Alfonso Escalante

Anos mais tarde, já próximo de agora, ele entrou num grupo de amigos que tem carros antigos e vão a eventos tanto em Salvador (onde todos moramos) quanto em cidades próximas. Meu marido é daqueles que quer que eu o acompanhe a todos os lugares. No começo, resisti, mas depois vi no grupo a possibilidade de fazer pequenas viagens de carro. Até então, as esposas também não participavam, mas quando os maridos começaram a falar que eu ia, elas começaram a ir.


Fonte: Acervo pessoal

Gosto de viajar de carro e ônibus, poder observar os lugares pelos quais passamos, as pessoas nas portas de suas casas na estrada ou nas cidades, a mudança na paisagem. Inclusive, tenho um canal que criei para documentar isso, mas está parado porque nosso carro foi furtado e ficamos um tempo sem carro. Compramos outro carro, mas, para meu marido, o carro ainda não está apresentável para participar dos eventos.


Estou tentando tirar esse sonho/projeto do papel, mas meu marido não é de se jogar nas coisas como eu. Por mim, já estaria na estrada morando em nosso carro mesmo, já que ainda não temos dinheiro nem para uma Kombi velha, quanto mais uma van. Quem sabe, um dia?


Enfim, este texto não tem um final. É apenas um despejo de uma ideia de texto para compartilhar com você, leitor.


Obrigada por ler até aqui. Veja você investindo tempo. Espero que, pelo menos, eu tenha despertado algo em você que possa ser visto como um retorno, ainda que não financeiro.


Até o próximo texto.


Caderno que usarei no mês de março

 Mudei novamente os cadernos do meu sistema de anotações. Ainda com a ideia de compilar todas as notas em um único lugar. A ideia para 2026 era usar o caderno criativo da Cicero. Mas, como estava a fim de usar cadernos costurados, decidi mudar para o caderno com sistema de elástico. A ideia era encaderná-los em um único volume para ter o livro de 2026. Agora, resolvi adotar um caderno que já é um volume do ano de 2026. Se eu seguirei? Não sei, mas folheei os cadernos que usei em janeiro e fevereiro e mostrei como configurei esse caderno (que eu mesma fiz. Aceito encomendas. Envie um e-mail para eualecosta@gmail.com).

Até mais!