Quando não há disposição para escrever: outras formas de registro

Abril tem sido um mês mais devagar no que se refere à escrita aqui na newsletter. Reitero meu objetivo para 2026: escrever todos os dias tanto para publicar no blog quanto para publicar aqui na news. Noto que essa “falta” de escrita se estende também para o diário. Decidi usar uma capa de couro com sistema de elásticos, conhecido como Midori ou Travelers Notebook, para este mês. Na verdade, o sistema deu muito certo e pretendo levar ele até a vontade de mudar se instalar, o que será em breve já que comprei uma capa para caderno A5. Outra coisa que fiz foi separar o diário da agenda. Acho que comentei aqui ou no blog, ou talvez tenha sido na minha dissertação, que em portugues não temos uma palavra para o journal. Em inglês temos Diary e Journal. Mas acabou de me ocorrer que o diary do ingles é a nossa agenda diária e o Journal, o que chamamos aqui de diário (diário íntimo, pessoal). Assim, em abril, pratiquei mais a agenda do que o diário. Nos últimos dias, nem isso.

Na capa que estou usando, coloquei 03 cadernos:

  • um para anotações gerais, listas, etc;

  • um que é a agenda - tem uma visão semanal vertical que uso para registrar compromissos, tarefas do dia, e a agenda diária, uma página por dia.

  • o último caderno, uma visão do mês em 02 páginas, funciona como planner e também  registro de memórias.

Neste último caderno, adicionei um sistema de cores para melhor visualização. As categorias que estou usando, são:

  • azul - feriados e datas comemorativas;

  • laranja - coisas do mestrado

  • rosa - lazer

E aqui já posso dar um exemplo do que está acontecendo: cheguei num ponto deste texto que não consigo mais arrancar palavras para continuá-lo. Lembro, inclusive, que meus últimos textos tem sido mais curtos.


Agenda diária


O curioso é que, mesmo quando não escrevo no diário, esse caderno continua sendo preenchido. Não com textos longos, nem com reflexões, mas com marcas mínimas do que aconteceu ou do que precisa acontecer. Como se, na ausência da vontade de escrever, restasse ainda uma necessidade de organizar o tempo.


Talvez seja isso que tenha acontecido em abril: não deixei de escrever completamente, mas mudei o tipo de escrita. Saí de uma escrita mais contínua, mais reflexiva, para uma escrita fragmentada, quase funcional. Uma escrita que não se demora, que não se desenvolve, mas que ainda assim registra.


E então me pergunto se essa “falta” de escrita é, de fato, uma ausência ou apenas uma mudança na forma de registrar o dia, os pensamentos, as ideias. Porque escrever no diário exige uma espécie de disposição que não é sempre acessível. Já a agenda, mesmo quando falha, parece exigir menos: ela aceita o mínimo, o registro rápido, a anotação quase automática. Mas, nos últimos dias, nem isso.


Um exemplo é a entrada do dia 15, que foi o dia do show da banda Guns'n Roses aqui em Salvador. Levei uma mochila pequena com um caderninho de bolso (não consigo sair sem um caderno e uma caneta ou lápis para escrever). Mas acabei fazendo alguns registros em tópicos no Google Keep mesmo, com a ideia de transcrever essas anotações para os devidos cadernos. Também pretendia escrever sobre como me senti, como foi a experiência. Não registrei porque os dias foram corridos, exigindo muito de mim emocionalmente. Eu estava vivendo no modo sobrevivência. Spoiler: no sábado fiquei de cama, completamente destruída.


Resultado foi que apenas registrei coisas na agenda, mas não escrevi sobre a experiência. Ainda quero escrever, mas, talvez, esse registro já não seja o real. Porque escrever no diário, pelo menos para mim, não é apenas registrar o que aconteceu. É uma tentativa de permanecer um pouco mais no que foi vivido. Quando isso não acontece, o dia parece passar mais rápido, ou talvez passe do mesmo jeito, mas sem deixar marcas tão visíveis.


A agenda, por outro lado, funciona quase como um esqueleto do dia. Eu uso o método bullet journal para fazer a agenda. Registro horários, tarefas, compromissos e até mesmo ideias, pensamentos, experiências e tópicos que posso desenvolver depois. Ou seja, mesmo quando falha, ainda aponta para uma organização possível. Mas ela (a agenda) não dá conta de tudo.  E talvez seja justamente isso que tenha faltado em abril: não foi falta de tempo ou disciplina, mas essa indisposição para lidar com o que não é imediatamente funcional. O resultado é um registro de fragmentos do vivido.


Ainda assim, olhando para os cadernos deste mês, percebo que algo permaneceu. Mesmo que de forma reduzida, fragmentada, quase silenciosa, há ali um rastro. Pequenos sinais de passagem: uma tarefa anotada, um compromisso cumprido ou cancelado (sim, eu deixo os cancelamnetos registrados), uma cor que indica que algo aconteceu.


Talvez o diário também seja isso; não apenas os momentos em que conseguimos escrever, mas também os períodos em que não conseguimos. As falhas, as pausas, os intervalos. Um arquivo que não se constrói só pelo que é dito, mas também pelo que fica suspenso.


Abril foi, nesse sentido, um mês mais leve de escrita, mas não necessariamente vazio. Apenas diferente. Um mês em que escrevi menos com palavras e mais com marcas dispersas, com organização, com tentativas de manter algum tipo de continuidade.


E talvez seja importante reconhecer isso: que a escrita não desaparece completamente, mas muda de forma. E que, mesmo quando não há vontade de escrever, algo ainda insiste em ser registrado ( ainda que de maneira quase imperceptível).


Às vezes, o remédio é se isolar

Na semana passada, publiquei o texto Uma semana comigo, que foi uma proposta do Entreblogs, projeto de blogagem coletiva. Mas estou num movimento de publicar aqui aquilo que eu publicaria no Instagram. Não estou pensando em desativar (ainda) a minha conta por lá. Sinceramente, não me sinto incomodada pelas mudanças que a plataforma nos impõe. Meu uso é pessoal, um hobby, até. Mas tenho consciência de que o que contruo por lá pode ser perdido caso o dono da plataforma assim queira. Então, o blog vai ser o meu arquivo de fotos e textos. No texto de hoje, ainda trago um recap semanal, mas pretendo, também, postar fotos, exatamente como faço no Instagram, sem necessariamente ter que escrever um texto, uma legenda. Ou seja, voltar a usar o blog ao que ele era quando surgiu: um diário.


Então, vamos para o recap semanal. Mas antes, quero contextualizar.


A semana passada foi uma semana atípica por aqui considerando meu contexto atual. Quase não tenho saído de casa porque estou apenas fazendo o tirocínio e indo para a terapia, ambos na quinta-feira. 


Depois de uma semana de muita carga emocional, ontem fiquei de cama. Enquanto tomava café da manhã, comecei a sentir um incômodo no peito, um desespero, vontade de chorar. Tomei um comprimido de antidepressivo e resolvi aceitar que não teria condições para nada. Mesmo assim, antes de me entregar à minha cama, coloquei algumas roupas na máquina (já estava sem roupa para sair, inclusive íntima). Pela tarde, levantei e fui estender a roupa. Hoje, segunda-feira, dia 20 de abril, me sinto melhor e ao revistar como foi a semana passada, percebo o quanto de estímulos recebi que fizeram meu corpoo pedir socorro. Quando a semana é muito agitada é certo que na sexta-feira no final da tarde eu já esteja me sentindo quebrada e por isso, acabo ficando de cama.





Um dos acontecimentos que mexeram comigo foi o show do Guns'n Roses em minha cidade, Salvador. Não vou falar muito sobre ele pois farei um texto especialmente sobre o show, mas deixo uma palhinha aqui para você.

Guns'n Roses toca Patience em Salvador

Além do show do Guns, ponto alto da minha semana, dei ministrei minha primeira aula no tirocionio, fui para a despedida de um amigo do meu filho e fui para a Bienal do Livro, onde encontrei uma pessoa muito especial, Jeniffer Geraldini.






Uma semana comigo

Este texto nasce da proposta do mês de abril do projeto EntreBlogs, projeto de blogagem coletiva.

Há dias venho tentando escrever esse texto. já tinha até desistido. Mais cedo, comecei a escrever, mas o texto tomou outro rumo e vai virar outro post. Agora há pouco, depois de ver um post de uma pessoa que sigo com registros de como foi a semana dela. Decidi fazer um também. Selecionei as fotos (algumas tive que restaurar da lixeira). Aí a  ideia veio. Se não estou muito na vibe de escrever, posso postar as fotos aqui assim como fiz no Instagram.

Segunda

Café

Diário que vi na Academia de Letras da Bahia

Terça

Print


Quarta

Visita inesperada


Quinta

Aula crítica textual - visita biblioteca prof. Vasco da Gama ILUFBA/UFBA

Aula crítica textual - visita biblioteca prof. Vasco da Gama ILUFBA/UFBA

Aula crítica textual - visita biblioteca prof. Vasco da Gama ILUFBA/UFBA

Aula crítica textual - visita biblioteca prof. Vasco da Gama ILUFBA/UFBA

Aula crítica textual - visita biblioteca prof. Vasco da Gama ILUFBA/UFBA

Aula crítica textual - visita biblioteca prof. Vasco da Gama ILUFBA/UFBA

Aula crítica textual - visita biblioteca prof. Vasco da Gama ILUFBA/UFBA

Bebê e Cali

Sexta

Assistindo a volta dos astronautas da missão Artemis II

Sábado

Bolo de chocolate


Domingo

meu travelers notebook


Kenedy e Bêbe


Importante ressaltar que esta foi uma semana atípica. No momento, estou apenas cursando o mestrado. Já estou na reta final, o que significa que estou fazendo tirocínio e escrevendo (ou tentando escrever a dissertação). Portanto, quase não saio de casa.

Minha vida se resume a acordar, tomar café tranquilamente (devagar) enquanto escrevo no meu diário. Tem dias que cozinho. Quando tenho comida pronta, sigo apenas estudando e escrevendo. Paro para almoçar por volta das 13h e aí já não consigo ter mais o mesmo desempenho. A energia só retorna para o final da tarde, mesmo assim tento fazer algo. Por volta das 19h, tomo meu café da noite, meu remédio e espero ele fazer efeito. Então, subo para o quarto e aí não presto para mais nada.


Meu sistema de cadernos para abril

Neste post, compartilho como pretendo usar meus cadernos em abril. Se preferir ou para complementar, você pode assistir o vídeo configuração dos cadernos para abril.


Meu "Travellers Notebook"

Março foi uma loucura por aqui em termos de cadernos. Transitei entre todos os que tenho aqui: A5, A6, personal, regular (Travellers Notebook - TN) argolado e encadernados. Para mim, isso é um reflexo da minha instabilidade emocional.

Para abril, decidi voltar para o modelo Travellers notebook ou Midori ou sistema de capa de cadernos com elásticos. Na capa, estou usando três cadernos.

1º caderno:

  • calendário mensal que não usarei porque o próximo caderno é apenas com os meses do ano.
  • visão semanal na vertical;
  • Agenda diária.
    palnner semanal

    agenda / diário

Como usarei este caderno:

Ele será, basicamente, uma mistura de planner, agenda e diário

A parte final que é de check list, usarei para rastrear sintomas, humor e coisas de rotina (casa, trabalho e saúde).

rastreamento humor

rastreamento sintomas e rotina


2º caderno - este caderno traz apenas a visão do calendário de cada mês do ano que pretendo usar para planejar e também registrar. Estabeleci um código de cores para ter uma ideia de como foi o mês quando ele terminar.

planner semanal

3º caderno para anotações em geral: ideias, listas, notas de palestras, aulas, eventos, citações, letras de músicas etc.

caderno de anotações

A capa que estou usando é de couro da marca Moterm. Comprei há alguns anos no Aliexpress. Além dos cadernos, ainda tenho uma bola plástica onde guardo folhas soltas, post-it, fotos, cartões, etc. Tenho uma pasta kraft também, mas não consigo lembrar onde coloquei.

Voltei a um sistema minimalista tanto em termos de caderno quanto da forma de usá-los. Tenho usado apenas caneta. A favorita da vez e a CIS Jet RT  0.7 (Mercado Livre e Shopee) que comprei na livraria Leitura. Ela é retrátil, o que é super prático, e bem pigmentada (importante para mim já que não faço força para escrever). Além disso, como falei antes, também usarei marca texto para categorizar as notas (eu uso marca texto pastel da Pilot).

caneta CIS Jet RT 0.7

Então, é isso. Esse é o meu sistema de cadernos para abril. E você, o que pretende usar?

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Recadinhos:

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Sobre a experiência de escrita com grafite 4B

Vira e mexe falo sobre como a experiência de escrita é importante para o hábito de escrever a mão diariamente. Hoje, precisei colocar grafite na minha lapiseira. Fiz isso no automático. Quando comecei a escrever, senti a grafite arranhando no papel. Meu primeiro pensamento foi que o motivo era porque eu havia acabado de colocar a grafite e ela ainda não tinha boleado. Mas a experiência desagradavel continuou. Peguei a caixa de grafites e vi que ela era 2B e não 4B que venho usando há um bom tempo.


A grafite 4B desliza e é mais pigmentada. Por aqui em Salvador não encontro grafites 4B, apenas 2B que era o que eu costumava usar.


Quando fui a SP no final de 2024, encontrei grafite 4B numa papelaria e comprei para testar. Desde então, uso apenas ela. Hoje, fui estudar fora de casa e a caixa de grafite que estava no estojo era 2B e não 4B e eu não havia percebido até precisar colocar mais grafite na lapiseira (tenho um estojo que fica na bolsa que chamo de escritório móvel - falarei sobre isso em outro post - e uso para me locomover nos diferentes espaços de casa - quem tem dois pavimentos - , e outro que deixo na mochila que uso quando saio de casa).

Portanto, fica aqui a dica. Se você não consegue encontrar grafite 4B facilmente na sua cidade, nem experimente. Continua na 2B que é a mais comum de encontrar. Experimentar a 4B é um caminho sem volta.

Encontrei na Amazon a grafite 0.7 4B, como pedido mínimo de 2 caixas e um valor ok, mas como não assino o Prime, então, ainda tem o frete. Além disso, só tenho grafite 4B de ponta 0.7. Quero grafite 0.5 4B também. Juntando as duas, acho que consigo isenção do frete. 🤔

Ainda tenho algumas grafites aqui, mas o desespero começou a bater. Enfim, apenas compartilhando meu desespero com você. 😬

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O vício de tomar notas

Acho que escrever é uma doença, um vício, uma necessidade.

Sei que essa “doença” esteve sempre comigo, mas, antes, eu tinha medo. Quando pensei nessa frase, pensei exatamente assim: "eu tinha medo de que lessem o que eu escrevia", mas, pensando bem, talvez o medo de manifestar a doença também estivesse ali. Se você já me acompanha, já leu outros textos meus, deve estar careca de saber que sempre gostei de cadernos, agendas, canetas e outros itens de papelaria. Em algum texto, contei que todo ano eu comprava agenda, mas ela sempre ficava em branco, assim como os adesivos ficavam intactos. Quanto aos cadernos escolares, eu tinha que usar, ne? Mas sempre customizei as capas com, pelo menos, fotos das bandas que eu gostava.


Hoje acordei cedo pensando em prosseguir na leitura de um livro para a minha dissertação, mas confesso que são 13:20 e ainda não iniciei essa atividade. Mergulhei em um trabalho manual. Sim! Mais uma capa para meus cadernos. Na verdade, comecei desmontando um caderno que eu havia feito com a proposta de centralizar tudo: diário + agenda + planejamento. De repente, me vi cortando e costurando pedaços de couro. Estou com as pontas dos dedos destruídas, além de ter quebrado duas agulhas. Desmanchei e montei novos cadernos.

A capa que fiz hoje

Num grupo de amigas virtuais que amam papel, uma das amigas compartilhou que costurou seu primeiro caderno. Ficou lindo! Mas o que é realmente lindo é a liberdade de ter o caderno que se quer. Por fazer meus próprios cadernos e usar métodos que permitem mudá-los sem que eles fiquem inutilizados eu posso estar sempre mudando. Parece que estou mudando, mas estou apenas refazendo. Passei a manhã nesse processo e quando terminei fiquei sem saber o que fazer. Uma sensação de vazio.

Comecei falando sobre o vício de escrever. Pode parecer exagero quando digo que eu sempre tenho um caderno comigo, mas não é. Exceto quando vou ao banheiro, em qualquer outro momento, há um caderno ao alcance da minha mão. E virou mania anotar cada pensamento, cada ideia. Claro que há dias em que escrevo menos. Nos últimos dias tem sido assim. Apenas registro o que tenho feito ou deixado de fazer.


Recentemente, li O romance luminoso (2018) de Mario Levrero e me identifiquei completamente com o personagem. O livro é, quase todo, sobre a tentativa de escrever o romance luminoso. Ele escreve o que fez e o que deveria ter feito, escrever o romance, mas a verdade é que ele passa noites criando e editando programas de computador para fazer pequenas atividades, ou fica vendo pornografia na internet. Minha pesquisa é sobre diários de escritores e, apesar de parecer que estou procrastinando, a pesquisa faz parte de mim porque eu sou diarista, escrevo um diário desde 2020. Leio diários, sou influenciada pelos diários que leio. De certa forma, influencio pessoas a escreverem diários ou lerem. Consegui até o feito de reunir algumas pessoas da minha cidade que também escrevem diários e tem interesse no assunto a formarmos um grupo e nos reunirmos. Contarei tudo assim que acontecer o primeiro encontro.

Mais uma vez voltando ao vício de escrever nos cadernos. Essa mania de registrar as coisas através de palavras vai se retroalimentando. Sinto que quanto mais escrevo, mais quero escrever. E quando sinto que não há o que escrever, crio listas.


Nunca usei prompts para escrever no diário. Prompts são como listas de assuntos sobre os quais você pode escrever, por exemplo: Como você está se sentindo agora? Como foi seu primeiro dia de aula no ensino médio?

Se você pesquisar por isso no Pinterest vai encontrar milhares de listas. Eu nunca quis utilizar, mas comecei a mudar de opinião.

Confesso que sou apaixonada por inglês. Em portugues, temos apenas uma palavra para o diário. Em inglês, temos duas. Journal e Diary.

Diary e o registro de tudo que aconteceu no dia. Que horas acordou, o que comeu no café da manhã, com quem conversou, o que fez, etc. Já o journal não é diário. É mais voltado para a reflexão, para dissecar um assunto, por exemplo. Vou tentar dar um exemplo real. Eu registro no diário que hoje eu pretendo terminar de ler o cap 2 de um determinado livro. O dia passou e eu não fiz isso, apesar de ter escrito que faria. Sei que não ter feito isso vai me incomodar e voltarei ao diário para falar sobre esse incômodo, para tentar entender porque eu não li o tal capítulo. 

Por isso, às vezes vemos gringas mostrando mais de um caderno porque para elas são atividades diferentes e para nós, não.

Penso que esse pode ser o motivo pelo qual muitas pessoas acabam não mantendo um diário. Por pensar que ele traz apenas as questões mais íntimas, aquelas que não contamos nem para nossas melhores amigas. Mas, como eu disse, o diário não é apenas isso.

Eu gosto de ter um diário no qual escrevo sobre o meu dia e me permito aprofundar na escrita, e outro caderno, o Bullet Journal, onde registro o meu dia. Assim, escrevo no BuJo todos os dias, mas há dias em que não escrevo no diário. Por sinal, os últimos dias tem sido assim por aqui. Apenas registrando, documentando o que aconteceu.

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Recap Semanal

No objetivo de me manter escrevendo e atualizando o blog, tive a ideia de fazer um Recap Semanal, como algumas redes sociais mostram para a gente. Na verdade, pensei em publicar aqui o que eu publicaria ou publico no Instagram. Tudo e teste e tentativa tendo como objetivo, manter a escrita diaria.

A ideia de postar o que eu publicaria no Instagram nao deu muito certo esta semana porque na real, fiz poucos registros, ate mesmo no meu diario.

Desde que tive uma crise que me levou a pedir demissao de um trabalho 7 dias depois de ter sido contratada, meu marido esta com receio de me deixar sozinha e me arrastou com ele para o trabalho. Meu marido faz de tudo! Eu não queria ir, mas e um apoiando o outro, sabe? Alem disso, penso que se ficasse em casa, nao trabalharia na minha dissertacao (nao que ela tenha avancado muito…).

Depois de passar o dia na rua, eu so queria tomar um banho, comer (tenho sentido muita fome, comido demais e engordado na mesma proporcao) e ir para meu quarto deitar e ficar no ar condicionado (o calor emSalvador esta insuportavel. Eu que ja me sinto sem forcas para nada, fico pior no calor). Como eu disse, nem no diario escrevi.

Então segue meu registro da semana.

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O blog já era?

Ultimamente, tenho passado meu tempo no Pinterest e, às vezes, no Substack. Agora há pouco, li uma note (espécie de tweet) em que uma pessoa escreveu que devemos preservar o Substack pois é o único lugar para quem gosta de textos longos. Eu discordo. Pensei em responder, mas achei melhor responder no meu espaço, na minha casa na internet, este blog.

Fonte:Foto de Pixabay no Pexels

Antes das redes sociais, antes do Youtube, havia os blogs e eles ainda existem se você está lendo este texto. Você já deve ter ouvido a expressão “Tumblr”que é o nome de uma plataforma de blog, assim como está, Blogger. Antes a gente dizia: uma foto tumblr que diz respeito a uma estética que era utilizada nesta plataforma. Hoje a gente diz: que algo é instagramável.

(Antes de continuar quero deixar claro que, algumas vezes, alguns temas, algumas histórias irão se repetir nos textos e peço desculpas por isso, mas é assim que a minha mente funciona).

Já tive vários blogs de assuntos diversos (ou nichos). O último antes deste, apesar de levar meu nome, era focado em escrita. Neste blog, falo bastante sobre escrita porque é o que está no meu radar no momento, mas me sinto mais livre para falar sobre o que eu quiser. 

Eu confesso que amo o Instagram, mas encontrar um determinado post, por exemplo, não é fácil. Desde o final de 2025, tenho pensado em concentrar tudo que publico aqui no blog e a partir daqui, replicar em outros espaços.

Não vou mentir para você dizendo que não me importo com seguidores, leitores. Afinal, se escrevo e publico na internet, quero ser encontrada e lida. No blog anterior a este, eu aplicava todas as técnicas de redação para web a fim de atrair possíveis leitores (ou SEO, Search Engine Optimization). Neste blog, decidi não aplicar essas técnicas porque não quero atrair públicos específicos. Quero falar, mostrar, compartilhar o que acho interessante na vida, no meu cotidiano, e essas técnicas acabam engessando a escrita, o texto, algo similar às normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).

Voltando ao note que acabei de ler no Substack, plataforma para envio de newsletter que funciona também como blog e, recentemente, como rede social com a implantação de recursos de áudio (podcast), vídeo e notes. Sim, lá é um espaço mais voltado para quem gosta de ler, mas sinto que está mudando à medida em que a plataforma vai se tornando mais popular, assim como aconteceu com o Instagram.

O lado positivo do Substack é que a plataforma “divulga” seu texto e você consegue crescer mais rápido do que num blog. No caso do blog, como eu disse, você tem que atrair pessoas interessadas por um determinado assunto, escrever aplicando estratégias de SEO e divulgar os textos nas redes sociais. Ou seja, não se trata de apenas escrever e postar. Caso contrário, seu texto nunca será lido.

Sigo poucos perfis de conteúdo no Instagram e acho um desperdicio que certos conteúdos estejam apenas ali quando poderiam ser encontrados mais facilmente na internet através das buscas no Google, por exemplo. A real é que os criadores de conteúdo e nós, pessoas comuns, usamos o Instagram como um blog, mas não temos as mesmas vantagens que um blog pode ofertar.

No blog, um texto pode ser publicado com 500 palavras, por exemplo, e sendo melhorado ao long do tempo, assim como a quantidade de visualizações do seu conteúdo. Quanto mais o  tempo passa, mais visualizações o conteúdo ganha e mais relevante ele se torna, o que contribui para que ele apareça nos resultados de buscas. E, quanto mais relevante, maiores as chances de que outro blog mencione o seu post, o que tambem contribui para sua autoridade. Mas chega de falar em coisas técnicas.

Tenho pensado muito sobre como usar o blog + Substack. Cheguei a pensar em replicar todo o conteúdo deste blog por lá, mas aí perde a essência da newsletter. O que comecei a fazer é replicar alguns textos do blog no Substack informando, é claro, que o texto foi publicado primeiro no blog. Tenho pensado também em usar o blog como diário no sentido de postar uma ou mais fotos, como faria no Instagram, no final do dia. Ou seja, realmente preencher a casa com diferentes formatos.

Seguirei usando o Substack como newsletter, mas sabendo que o foco do meu conteúdo está aqui.

Para fechar este texto (e não para encerrar), repito: o Substack não é o único espaço na internet para quem gosta de escrever e de ler textos longos. Existem outras plataformas. Tudo depende do que você quer publicar, como e onde.

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Leva-se uma vida inteira para aprender a andar pela cidade

Anotei esta frase no Google Keep porque estava no carro e seria impossível escrever e eu não queria perder essa frase. Eu estava na região do centro histórico de Salvador com meu marido. Deixamos o carro em um determinado ponto e fomos a pé ao nosso destino: uma loja de componentes eletrônicos. Na volta, contei a ele do dia em que sozinha, fui a até a Barroquinha procurando por alguns materiais para fazer cadernos. Fui até uma loja que eu já havia ido com ele e voltei. Resolvi subir pelas ruas e entrar nas lojas em busca do que precisava. Andei bastante.

Lembrei de algumas ruas que eu andava com meu pai quando ele era vivo e eu uma adolescente que saia e braço dado com ele, ja idoso. Eu adorava. Quem me conhece sabe que tenho medo de andar pelo centro. Primeiro, acho que por ser mulher. A cidade não foi feita para nós. Segundo porque eu tenho medo de entrar em lugares que não deveria entrar. Por outro lado, adoro andar pela cidade e olhar a arquitetura dos imóveis. Geralmente, faço isso com meu irmão que cursou alguns semestres de arquitetura, mas voltou para a sua formação inicial: físico. Assim como eu, ele é uma pessoa curiosa, autodidata. Ele mais do que eu.

Voltando ao dia em que andei pelo centro sozinha. Hoje, consigo me situar pelas ruas, becos e vielas mesmo sem lembrar o nome desses espaços. Nesse dia, pensei: meu pai deve estar orgulhoso de mim. Entre aqui, sai ali sem perguntar e sem Google Maps. Mas não me atrevi a fotografar porque estava sozinha.

Mercado Modelo

Cidade da música

prédio da primeira faculdade de medicina do Brasil

No meu Pinterest, você pode ver algumas das minhas fotos da cidade no meu Enfim. Comecei a escrever esse texto sem pretensão e por isso ele não tem fechamento. Ele é mais uma divagação e, por isso, vou compartilhá-lo também na newsletter.


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