Anotei esta frase no Google Keep porque estava no carro e seria impossível escrever e eu não queria perder essa frase. Eu estava na região do centro histórico de Salvador com meu marido. Deixamos o carro em um determinado ponto e fomos a pé ao nosso destino: uma loja de componentes eletrônicos. Na volta, contei a ele do dia em que sozinha, fui a até a Barroquinha procurando por alguns materiais para fazer cadernos. Fui até uma loja que eu já havia ido com ele e voltei. Resolvi subir pelas ruas e entrar nas lojas em busca do que precisava. Andei bastante.
Lembrei de algumas ruas que eu andava com meu pai quando ele era vivo e eu uma adolescente que saia e braço dado com ele, ja idoso. Eu adorava. Quem me conhece sabe que tenho medo de andar pelo centro. Primeiro, acho que por ser mulher. A cidade não foi feita para nós. Segundo porque eu tenho medo de entrar em lugares que não deveria entrar. Por outro lado, adoro andar pela cidade e olhar a arquitetura dos imóveis. Geralmente, faço isso com meu irmão que cursou alguns semestres de arquitetura, mas voltou para a sua formação inicial: físico. Assim como eu, ele é uma pessoa curiosa, autodidata. Ele mais do que eu.
Voltando ao dia em que andei pelo centro sozinha. Hoje, consigo me situar pelas ruas, becos e vielas mesmo sem lembrar o nome desses espaços. Nesse dia, pensei: meu pai deve estar orgulhoso de mim. Entre aqui, sai ali sem perguntar e sem Google Maps. Mas não me atrevi a fotografar porque estava sozinha.
Mercado Modelo
Cidade da música
prédio da primeira faculdade de medicina do Brasil
No meu Pinterest, você pode ver algumas das minhas fotos da cidade no meu Enfim. Comecei a escrever esse texto sem pretensão e por isso ele não tem fechamento. Ele é mais uma divagação e, por isso, vou compartilhá-lo também na newsletter.
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Pensando sobre algo para escrever, lembrei do encontro de journaling que estou propondo para quem e de Salvador, e me ocorreu falar sobre pertencimento, sobre fazer parte de um grupo, uma tribo.
Na escola, todos queremos e/ou fazemos parte de uma tribo. Sempre fui melancolica, estava sempre com Walkman, depois com disc man. Influenciei amigas a gostarem de Bon Jovi, mas eu era a mais louca de todas. A epoca do ensino medio foi a epoca do Charlie Brown Jr, mas ai eu e que fui influenciada. Depois que a banda virou “global” (por causa da musica que foi abertura de Malhação), me afastei.
No final da adolescencia e inicio da fase adulta, entrei na tribo do forró. Dançava forró todo fim de semana. Não perdia um show de Calcinha Preta e da Colher de Pau (banda local). Mas, o rock continuava em paralelo. Bon Jovi, sempre, além de U2, Guns'n Roses, Red Hot Chili Pepers, etc. Também comecei a gostar de reggae: Bob Marley, Edson Gomes, Diamba (estes dois mais conhecidos localmente). Para todos os outros estilos havia uma tribo, menos para o rock.
Já na vida adulta, fazendo faculdade, me reaproximei do hábito de ler. Aí foi que não encontrei uma tribo mesmo. Para todo mundo que eu conhecia, ler era apenas para fazer uma prova. E para ler, eu tentava sempre me afastar. Era (e ainda é) uma forma de me isolar (só entendi isso recentemente) e estar em um grupo.
Em 2015, quando criei minha conta no Instagram que enconttrei o meu grupo, a minha bolha, a dos leitores. Aos poucos, fui retomando sonhos antigos, como escrever, estudar por prazer, ler, mas sempre de forma solitária. Minhas amigas não curtem as mesmas coisas que eu.
Foi no Instagram, também, que conheci o conceito de clube do livro (o mais próximo disso que eu cheguei foi um grupo de pesquisa na faculdade). E, mais recentemente, clube e/ou grupo de journaling que nada mais é do que a reuniao de pessoas que gostam de escrever, colar coisas em cadernos (agendas, planners, diários, entre outros). Não sei de algo assim aqui em Salvador. Então, pensei em propor isso nas redes sociais. A ideia surgiu em 2025, mas não consegui levar adiante por conta de outras demandas. Agora, temos um pequeno grupo no telegram e um encontro agendado para o último sábado de março num café meuito lindo aqui de Salvador. Aliás, outro projeto que tenho (neste caso é pessoal, mas se alguém quiser me acompanhar é só mandar mensagem) é conhecer cafés em Salvador.
Tudo isso foi apenas cpara contar que se você é de Salvador, ama papelaria, prinicpalmente, cadernos, vamos nos reunir para nos conhecermos pessoalmente, escrever, fazer colagens, trocar experiências e beber um bom café. Deixo aqui o convite para entrar no nosso grupinho no Telegram. Tenho a pretensão, também, de fazer encontros online para que pessoas que não encontram um grupo na sua cidade, possam se reunir, ainda que virtualmente. Você topa?
Se você já acompanha o blog, deve ter lido em posts anteriores que após mais de 10 anos voltei ao mercado de trabalho. Tomei a decisão sozinha ao receber a informação de que a empresa estava recrutando. Foi tudo muito rápido. Meu marido tem trabalhando muito, demais, na verdade, e eu me sinto um peso para ele (não apenas para ele). Passei por uma semana de treinamento e a semana passada já foi mão na massa. Optei por não estabelecer vínculos, então me mantinha afastada das pessoas falando apenas quando era questionada por alguém.
Durante a semana passada, a vontade de desistir era grande. Eu me via surtando no meio de todo mundo, mas, internamente, repetia para mim mesma que se outras pessoas conseguem, eu também consigo. Dizia a mim mesma para pebsar no quanto é bom ter meu próprio dinheiro, as coisas que eu poderia fazer, resolver a minha vida.
Durante o trabalho, eu até conseguia não ouvir essas vozes. Tenho duas vozes em conflito o tempo todo. Na verdade, não são apenas duas. Uma me diz para me acolher, que estou doente e me tratando. Outra me acusa de ser procrastinadora, preguiçosa. Outra me diz para sumir, desaparecer. E tem aquela que julga que tudo não passa de uma representação, que nada é real.
Na quinta, quando estava no ônibus, senti uma mudança em mim. Vontade de chorar, de sumir. Minha chefe notou. Perguntou se eu estava bem e respondi que mais ou menos. Meu marido também perguntou o que eu tinha e respondi que não era nada. Mas quando ele saiu do carro para comprar pão, chorei. Apesar disso, consegui me controlar. No sábado, acordei e estava sozinha em casa. Durante o café da manhã, comecei a chorar e não consegui parar. Mandei mensagem para meu marido. Ele largou o trabalho e veio me ver. Me amparou. Por fim, pedi demissão.
Queria muito conseguir continuar, ser uma pessoa “normal", uma pessoa adulta que trabalha, cuida da casa, do marido, dos filhos, que faz mestrado e que tenta escrever. Mas não consigo.
Pensei bastante se deveria ou não publicar este texto tão íntimo. Pensei em apagá-lo algumas vezes, mas falar (escrever, no meu caso) me faz bem. E sei que há outras pessoas tentando "ser normal", assim como eu. Pessoas que tem depressão, ansiedade e outros transtornos. A sensação de incapacidade é muito ruim. No fim, o que nos resta é tentar não sucumbir. Só há sentimentos e pensamentos negativos. Mas, por mais que a gente não acredite, não estamos sozinhos.
Lendo o post da Jeniffer com o tema do mês no projeto Cadernos Compartilhados, lembrei desse sonho que está em espera: viajar de motorhome. Mas, na verdade, não quero apenas viajar. Quero morar num motorhome e sair pelo mundo sem data para voltar, sem roteiro rígido. Digo isso porque acompanho canais sobre motorhome e esse pessoal tem um objetivo de chegar em algum lugar, como o Alasca, por exemplo. Quero chegar lá? Sim, mas não como trabalho, sabe? Apenas ir e viver cada lugar com calma, sem pressa. Claro que compartilhando a experiência de viagem, pode acabar virando, sim, um trabalho. Acho que hoje em dia tudo descamba para esse lado, por isso tanta gente falando em produtividade. O sistema exige que a gente esteja sempre produzindo algo, que nem sempre gera um retorno financeiro. Não podemos esquecer que para produzir, precisamos investir: seja dinheiro, intelecto, força braçal ou tempo. Este blog é um exemplo disso. Dedico parte do meu dia a sentar para escrever. Para este texto chegar até você, preciso pensar sobre o que escrever, reler, editar, escolher uma imagem e publicar. Também há custo de energia, internet, desgaste do computador. Tudo sem retorno financeiro. O sistema exige a produtividade, mas não garante o retorno desse investimento. Enfim, o papo não é este.
Depois de alguns anos assistindo vídeos desses canais, lembrei que essa vontade surgiu quando era pequena e assisti a novela Ana Raio e Zé trovão na TV Manchete (antigo, muito antigo). Exibida originalmente de 12 de dezembro de 1990 a 13 de outubro de 1991 às 21h30, em 251 capítulos. (Fonte: Wikipedia). Lembro de assistir e pensar que quero morar num ônibus também.
O tempo foi passando e esqueci disso, afinal, ainda era criança naquela época. Depois, comecei a gostar de Fórmula 1. Era fã do Michael Schumacher. Quando ele se aposentou e várias regras mudaram, deixei de acompanhar.
Mais um tempo se passou e passei a querer participar de Rally. Nunca consegui e hoje não sei se conseguiria. Muito movimento me causa dor de cabeça. E aí, conheço aquele que hoje é o meu marido, um apaixonado por carros antigos. Nos primeiros anos de relacionamento, eu ficava P da vida por causa da quantidade de tempo que ele passava mexendo no carro do pai. Não foi uma época fácil.
Foto de Alfonso Escalante
Anos mais tarde, já próximo de agora, ele entrou num grupo de amigos que tem carros antigos e vão a eventos tanto em Salvador (onde todos moramos) quanto em cidades próximas. Meu marido é daqueles que quer que eu o acompanhe a todos os lugares. No começo, resisti, mas depois vi no grupo a possibilidade de fazer pequenas viagens de carro. Até então, as esposas também não participavam, mas quando os maridos começaram a falar que eu ia, elas começaram a ir.
Fonte: Acervo pessoal
Gosto de viajar de carro e ônibus, poder observar os lugares pelos quais passamos, as pessoas nas portas de suas casas na estrada ou nas cidades, a mudança na paisagem. Inclusive, tenho um canal que criei para documentar isso, mas está parado porque nosso carro foi furtado e ficamos um tempo sem carro. Compramos outro carro, mas, para meu marido, o carro ainda não está apresentável para participar dos eventos.
Estou tentando tirar esse sonho/projeto do papel, mas meu marido não é de se jogar nas coisas como eu. Por mim, já estaria na estrada morando em nosso carro mesmo, já que ainda não temos dinheiro nem para uma Kombi velha, quanto mais uma van. Quem sabe, um dia?
Enfim, este texto não tem um final. É apenas um despejo de uma ideia de texto para compartilhar com você, leitor.
Obrigada por ler até aqui. Veja você investindo tempo. Espero que, pelo menos, eu tenha despertado algo em você que possa ser visto como um retorno, ainda que não financeiro.
Mudei novamente os cadernos do meu sistema de anotações. Ainda com a ideia de compilar todas as notas em um único lugar. A ideia para 2026 era usar o caderno criativo da Cicero. Mas, como estava a fim de usar cadernos costurados, decidi mudar para o caderno com sistema de elástico. A ideia era encaderná-los em um único volume para ter o livro de 2026. Agora, resolvi adotar um caderno que já é um volume do ano de 2026. Se eu seguirei? Não sei, mas folheei os cadernos que usei em janeiro e fevereiro e mostrei como configurei esse caderno (que eu mesma fiz. Aceito encomendas. Envie um e-mail para eualecosta@gmail.com).
No último post, comentei que comecei a trabalhar como CLT novamente. Ainda estou me ajustando à nova rotina. Na verdade, na próxima semana ela vai mudar mais um pouquinho porque irei para o meu horário definitivo. Confesso que estou frustrada por não conseguir escrever durante esses dias. Até mesmo escrever no diário não está fácil, mesmo carregando-o comigo.
Falando em diário, mudei mais uma vez. Agora estou usando um caderno A5 com 400 páginas. Tudo, absolutamente qualquer anotação, vai para ele. Eu amei. Como eu disse, é um caderno A5 (feito por mim. Se você gostou, pode mandar uma mensagem e encomendar o seu), com folhas brancas lisas (ainda não consegui comprar meu chamex marfim e nem quero por agora, pois o risco de fazer outro caderno e abandonar esse é alto), dois fitilhos e capa flexível (ele é a minha versão do Moleskine expanded, fui olhar se escrevi expandido certo e vi que ele está num preço muito bom na Amazon).
Meu caderno A5
Apesar de estar escrevendo pouco, tenho mantido o Bullet Journal, que não deixa de ser uma forma de fazer um diário.
O que eu quero dizer com tudo isso é que tenho usado o caderno para pensar e escrever o que estou pensando. Antes, eu pensava antes de escrever, agora sinto que vou pensando à medida em que vou escrevendo. O que tem me frustrado no trabalho é justamente a impossibilidade de poder escrever. São algumas horas em que me sinto incompleta sem o meu caderno do lado.
Agora, falando sobre coisas bobas. Ontem, pela segunda vez em menos de 30 dias, perdi outra caneta. Na verdade, a tinta subiu e chegou a vazar. Ainda bem que não chegou a explodir totalmente, se não, perderia o caderno, pois deixo ela dentro dele.
Por hoje é isso.
Até amanhã (🙏🏽)
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Caro leitor, escrevo para você que está lendo este texto e, se está aqui, é porque as temáticas sobre as quais escrevo também te interessam.
Desde a última quinta-feira, minha vida sofreu uma reviravolta. Decidi voltar a trabalhar (CLT) e ainda estou me adaptando aos novos horários e, por isso, não escrevi e postei aqui nos últimos dias. Continuo com o objetivo de escrever todos os dias e postar aqui, assim como preciso escrever todos os dias para a minha dissertação.
Acredito que os formatos dos textos podem variar. Tenho pensado em tornar esse espaço um diário, embora eu já ache que é isso mesmo.
Pretendo trazer pequenos pedaços do meu dia, uma foto, um vídeo curto.
Foto da minha galeria que tirei hoje (Kenedy)
Como estarei fora de casa boa parte do meu tempo, a alteração na rotina também gerou alteração no uso dos meus cadernos. Quero ter tudo comigo e, ao mesmo tempo, quero sair com o menor peso possível. A princípio, pensei em usar uma capa do tamanho personal para usar na rua e passar tudo a limpo no dia da minha folga. Hoje, decidi continuar com os cadernos A5 que eu mesma faço. A ideia de ter um padrão de tamanho e material da capa continua firme, mas resolvi fazer um novo teste. Um caderno para tudo. Um caderno mensal.
Foto do meu caderno (planner semanal +. Bullet Journal)
Resolvi começar com o caderno que já estou usando como diário. Além do diário, usarei o método Bullet Journal e adicionarei uma página com layout semanal para usar como planner. Também farei listas (adoro listas!), habit tracker etc. Será que vai funcionar? Até quando?
Acho que o ponto importante nesse meu sistema é a liberdade de poder trocar a qualquer momento sem prejuízo financeiro, por exemplo. Nada é perdido. Enfim. Preciso começar a me organizar para ir trabalhar.
O Bullet Journal é um método desenvolvido por Ryder Carroll onde você concentra toda a sua vida, enquanto o diário é um registro de como são os seus dias, o que você sente, com quem conversou ou saiu, etc.
O diário pode estar dentro do bullet journal, mas o inverso não acontece. A ideia por trás do BuJo é simplificar as anotações por isso elas são feitas em tópicos usando marcadores e símbolos. Já no diário, geralmente, os registros são feitos em formato de texto, o que dificulta encontrar determinadas informações, por exemplo.
No Bullet Journal, você pode usar o símbolo “+” ao lado de uma nota para sinalizar que vai aprofundá-la mais adiante. O diário pode ser feito com desenhos, colagens, etc. Você pode usar esses recursos no BuJo, mas, neste caso, é apenas complemento. No diário, estes recursos podem ser utilizados de forma isolada.
Eu mantenho as coisas separadas. Tenho um caderno para o bullet journal e outro para o diário. Uso um sistema de comunicação entre eles. Por exemplo: no BuJo, registro que comecei a ler A vida que vale a pena ser vivida do professor Clóvis de Barros. No diário, registro algo relacionado a essa leitura. O que eu faço no BuJo é colocar uma nota assim: ver pág X do diário.
Em 2026, resolvi usar uma capa de couro com sistema de elásticos aos quais os cadernos são presos. (lembrando que até o fim do ano tudo pode mudar a qualquer momento) Estou usando três cadernos:
Cada caderno recebe uma numeração (uma etiqueta) assim: 2026.1, 2026.2, 2026.3 e assim por diante. Eu mesma faço os cadernos (você pode comprar o seu na minha loja na Shopee) com 60 páginas no tamanho A5. No primeiro caderno que comecei em janeiro, numerei as páginas de 01 a 60. No segundo caderno, a primeira página é 61 e vai até 91. O terceiro caderno inicia em 92 e assim sucessivamente.
Caderno A5
A ideia é, no final do ano, fazer 03 capas para cada caderno (diário, BuJo e CPB) costurando todos os cadernos que usei durante o ano. Mostrarei o resultado aqui e no canal no YouTube.
Por hoje é isso. Se você tiver dúvidas ou se quiser compartilhar como você está se organizando em 2026, deixe um comentário.
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Assim como acontece com a maioria das pessoas, criei uma ideia errada do que era bullet journal ao ver milhares e milhares de fotos no Instagram e Pinterest sobre bullet journal. Eu via todo mundo usando e falando sobre isso nas redes sociais e eu também queria usar. Mas não sei desenhar. Não tenho grana para comprar um Moleskine ou um Lechtrum, nem os marcadores Mildliner. Em resumo: as redes sociais contribuíram para difundir uma ideia errada do que é o bullet journal.
Tentei usar o método algumas vezes, mas acabei abandonando por não ter tudo o que listei acima. Mas eu nao desisto das coisas com facilidade. Por isso, depois de algum tempo, resolvi tentar mais uma vez, mas decidir começar de forma diferente: decidi ler o livro e depois partir para a prática. E assim eu fiz.
Foi apenas depois de ler o livro que entendi que a ideia por trás do método é muito simples.
Para fazer um bullet journal, você precisa apenas de um caderno (qualquer um, de qualquer tamanho) e algo para escrever (caneta, lápis, lapiseira). Todo o resto e frufru.
Uso o método desde 2020. Inclusive, comecei um diário no bullet journal que é um diário em tópicos.
Mas, diferente do que outros blogs e redes sociais apresentam, vou te apresentar o método e como utilizá-lo, mas sempre recomendo a leitura do livro escrito pelo criador do método.
Mas o que é Bullet journal?
Para Ryder Carroll, Bullet Journal é “um cruzamento de agenda, diário, bloco de anotações, lista de afazeres e caderno de desenho. [...] uma ferramenta prática e generosa para organizar a mente.” Acho que podemos chamá-lo também de caderno de tudo, outra forma de nomear o Commonplace Book (falarei sobre ele em outro post).
Há quem utilize o método no digital, mas o princípio do bujo é proporcionar foco e sabemos muito bem que quando estamos no celular ou computador, focar em uma atividade demanda muita força de vontade. Portanto, o ideal é usar um caderno e uma caneta para escrever e dessa forma, ter maior foco e clareza sobre aquilo que anota. Quando escrevemos à mão, precisamos pensar sobre o que escrever, o que não ocorre quando digitamos. Digitar é um ato mecânico. A gente consegue fazer isso sem pensar.
Segundo Carroll, O bujo "vai ajudá-lo a se organizar, fornecendo ferramentas e técnicas simples que darão clareza, orientação e foco a seus dias."
Como funciona o método Bullet Journal?
Embora a ideia deste post seja trazer os principais pontos que estão no livro O método bullet journal: Registre o passado, organize o presente, planeje o futuro. Mesmo assim, recomendo que leia o livro que é dividido em duas partes: o sistema e a prática. Na primeira parte, o autor fala sobre o sistema e mostra como transformar um caderno em uma ferramenta de organização. A segunda parte é prática e é resultado da “fusão de filosofias de diversas tradições que definem como viver uma vida com propósito — tanto produtiva quanto dotada de objetivo.”
O bujo é um sistema analógico que funciona como um “espaço offline necessário para processar informação, refletir e se concentrar".
Conceitos importantes do Bullet Journal:
Antes de ir para a parte prática, ou seja, montar o seu BuJo, você precisa conhecer os conceitos que estruturam o bullet journal. São eles:
Índice
Registro futuro
Registro mensal
Registro diário
Registro rápido
Coleções
Marcadores
Índice
O índice serve para localizar as informações no seu bullet journal. Para montar seu índice, separe a primeira página dupla do caderno e no topo delas escreva a palavra “Índice”. Normalmente, os cadernos que usamos não tem as páginas numeradas, por isso, para o índice funcionar, você precisa numerá-las.
Bullet journal - Índice
Registro futuro
O registro futuro (Future log) bullet journal é o espaço para planejar e acompanhar eventos, tarefas e prazos. Para escrever o registro futuro, separe 04 páginas e desenhe 03 linhas horizontais em cada uma delas em 03 partes, conforme a imagem abaixo.
Bullet journal - Registro futuro
Depois, você pode inserir as informações que você já tem relacionadas aos próximos meses, como aniversários, volta às aulas, consultas, feriados, outras datas importantes para você. O registro futuro apresenta de uma forma geral, como serão os próximos meses. Você usa essas informações para planejar o mês e os dias.
Registro mensal
O registro mensal (monthly log) mostra como será ou como foi o seu mês. Tudo que você considera importante estará lá. Para montar o seu registro mensal, separe a próxima página dupla. Na página esquerda, anote o nome do mês no topo da página e depois liste os dias da semana de 01 a 31. Ao lado de cada número, escreva a letra que corresponde ao dia da semana. Na página da direita, escreva a lista de tarefas do mês usando marcadores para categorizá-las (falo sobre eles mais adiante). Algumas pessoas gostam de criar uma capa para o mês, mas isso é opcional. Além disso, você pode começar o registro mensal a partir do mês em que você está ou vai iniciar o bujo, ou seja, não precisa incluir o mês de janeiro, por exemplo (estou escrevendo este post no dia 18 de fevereiro de 2026).
Bullet journal - Registro mensal
Registro diário
No registro diário, anotamos tarefas, compromissos, ideias, lembretes, sensações. Para iniciar seu registro diário, pela manhã ou na noite anterior, escreva a data e o dia da semana no topo da página (por exemplo, 18/02 qua). Em seguida, consulte o registro futuro e o registro mensal e veja se tem algo programado para aquele dia. E, durante o dia, registre tudo utilizando o registro rápido, utilizando marcadores para classificar as notas e facilitar sua localização. É recomendado que o registro seja feito de forma concisa, em uma ou duas linhas, mas de uma forma que você consiga entendê-las no futuro.
Bullet journal - registro diário
Registro rápido
O registro rápido é a maneira como inserimos as informações no BuJo utilizando marcadores.
Marcadores
No Bullet journal, os marcadores são sinais utilizados para categorizar as anotações para identificá-las de maneira mais rápida. Os mais comuns são:
Bullet journal - marcadores
Coleções
São notas que compartilham um mesmo tema, por exemplo:
lista de livros lidos
lista de compras.
Neste caso, anota-se o nome do tópico no topo da página e em seguida, escreve as anotações utilizando marcadores. E também deve anotar o nome da coleção e a página no índice.
Esses conceitos são a base do bullet journal, mas você pode incluir mais informações no seu bujo, como:
rastreador de hábitos (habit tracker)
rastreador de humor (mood tracker)
registro financeiro
Para quem gosta de um diário mais tradicional pode utilizar o que Carroll chama de Long-form Bullet Journaling. Entradas mais longas do que a proposta do bujo. Neste caso, você utiliza o sinal de + para indicar que vai escrever um pouco mais sobre aquele assunto.
Como fazer um bullet journal minimalista
Um bullet journal minimalista é aquele que segue a risca, o método, sem firulas. Apenas um caderno e algo para escrever (caneta, lápis, etc.)
1º passo: escolha um caderno.
Recomendo escolher um caderno simples e barato para você testar o método. Se funcionar para você, então você compra um caderno mais bonito e caro. Escrevi um post ensinando a fazer um caderno simples, como o que eu utilizo. Também tenho o no qual falo sobre como fazer este caderno.
2º passo: Numere, inicialmente, as primeiras 20 páginas do caderno.
3º passo: Ao abrir o caderno, você vai ter a folha de guarda. Considere ela como a pagina 01. No topo da folha seguinte (esquerda), a pagina 2, escreva “Índice”. Faça o mesmo na página da direita. Você pode deixar mais páginas disponíveis, mas não lembro de ter usado mais do que duas.
4º passo: Nas próximas páginas, você vai fazer o registro do futuro (Future Log). Para isso, reserve 04 páginas. Divida cada uma delas em 3 seções e escreva o nome dos meses em cada uma dessas seções.
Volte ao índice e escreva registro futuro: 04-07.
5º passo: Nas duas páginas seguintes (08 e 09), você vai montar o registro mensal. No topo das duas páginas, escreva o nome do mês que você está ou do próximo mês. Uma das coisas favoritas para mim do método é a possibilidade de começar um bullet journal a qualquer momento. Na página da esquerda, escreva os números de 01 a 30 (ou 31) e ao lado, a letra que corresponde ao dia da semana. Na página da direita, você deve escrever as tarefas daquele mês.
6º Passo: Passe mais uma folha, ou seja, vá para a folha 08 e escreva a data e o dia da semana, por exemplo: 04/01 dom.
No final do mês, você cria outro registro mensal. Porém, antes de anotar as tarefas para o novo mês, retorne ao registro mensal do mês que está terminando. Marque o que foi concluído e pense sobre o que não foi concluído. Ainda é importante? Se sim, migre para o registro do novo mês utilizando o marcador (>). Nessa etapa, volte aos registros diários e mensal. Se alguma tarefa não foi concluída e você pretende voltar a ela em algum momento, marque-a com o seguinte marcador (<) e anote-a no registro futuro. Essa ação chama-se migração e permite recategorizar e reavaliar tarefas. Também é possível fazer migração anual e entre cadernos/ bullet journals, mas aí já vamos para um tópico mais avançado que deixarei para um outro post.
Principais erros ao fazer um bullet journal
Uma das coisas que causa bloqueios quando falamos em bullet journal na internet é que as pessoas montam o bujo do mes inteiro de uma vez e nao é assim que o autor propõe. Não sei como é a sua rotina, mas depois de fazer a sua rotina matinal, a primeira coisa que voce deve fazer é pegar seu bullet journal e iniciar o registro diário. Voce pode comecar o registro de hoje, por exemplo, abaixo do registro de ontem, caso tenha sobrado espaco. O registro mensal, voce deve iniciar no final do mes. Seguindo essas dicas do Ryder Carroll voce tem mais chances de conseguir usar o bullet journal.
Que caderno usar para fazer um bullet journal
Normalmente, para fazer um bullet joirnal, as pessoas usam cadernos tipo Moleskine, Cicero e LEUCHTTURM1917. Mas, como eu disse, qualquer caderno serve. Eu ja usei Moleskine e Cicero. Atualmente, prefiro usar cadernos do tipo brochura ou revista que eu mesma faço (link da minha loja na Shopee). Caso queira, tenho uma lojinha na Shopee onde você pode adquirir cadernos feitos por mim. E uma forma de apoiar o meu trabalho já que não ganho nada escrevendo aqui. Faço por amor e por acreditar que um dia conseguirei pagar as minhas contas com a minha escrita. Mas deixarei alguns links dos cadernos mais usados para Bullet journal.
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Obs 2: Este é o texto 17 do desafio 30 dias de escrita.
Virginia Woolf manteve um diário ao longo de 44 dos seus 59 anos de vida. Ela foi encontrando uma forma para seu diário. Não é apenas um diário íntimo de uma mulher inglesa do início do século XX. Woolf é uma das escritoras do século XX. Viveu as duas grandes guerras mundiais. Escreveu ficção, ensaios, crítica literária e contos. Era integrante do Bloomsbury Group, um ciclo de intelectuais que contestavam as tradições literárias, políticas e sociais da Era Vitoriana. Woolf, assim como James Joyce e William Faulkner, é considerada uma das criadoras do fluxo de consciência, técnica narrativa que tenta representar o fluxo não linear do pensamento.
Virginia Woolf
Rotina de escrita de Virginia Woolf
A rotina escrita de Virginia Woolf era mais ou menos a seguinte:
09:30 às 12h - escrita: ficção ou resenhas;
Almoço;
Revisão;
Caminhada;
15 às 18h - Hora do chá;
Escrita: diário e/ou cartas;
Leitura, visitas.
Como escrever um diário como Virginia Woolf
Abaixo, apresento alguns pontos com os quais você pode se inspirar para iniciar ou incrementar sua prática diarística a partir da prática de Virginia Woolf.
Muita repetição e zero expectativas
Um diário é composto de muita repetição, a menos que você tenha uma vida bem movimentada, sem rotina. Além disso, você deve ter em mente que não está escrevendo um livro de ficção ou escrevendo para que outras pessoas leiam, embora, caso você queira, pode publicar, mas neste caso, ainda há um processo de edição. Um diário não é publicado exatamente como ele foi escrito (assunto para outro texto).
No começo é mais difícil escrever todos os dias, mas se você quer escrever um diário, seja lá por qual motivo, deve se obrigar a sentar e escrever todos os dias. Mesmo que seja uma frase, um parágrafo. Eu fazia a mesma coisa quando estava criando o hábito de ler. Lia nem que fosse uma frase. Depois que ler se tornou um hábito como escovar dentes, o processo acontece de forma natural.
Com o diário, sinto que quanto mais escrevo, mais quero escrever.
Arquivo
Penso no diário como um arquivo. Embora haja repetições nos registros, também há entradas que no futuro podem ter conteúdo histórico. Vou dar um exemplo bem sem importância para muitas pessoas, mas importante para mim. Em abril, a banda Guns'n Roses vai tocar em Salvador. Isso é um acontecimento histórico e, com certeza, será registrado no meu diário. Outros assuntos históricos que a gente registra no diário: catástrofes, eleições, o carnaval de 2026, etc.
Além desse tipo de conteúdo, você pode escrever sobre o que fez, quer fazer, o que não fez. Com quem conversou, sobre o tema da conversa. Registre suas leituras, filmes e séries, quais músicas você está ouvindo.
Observação X Confissão
No diário, conforme a prática de Virginia Woolf, devemos focar em observar a si mesmo e ao mundo ao invés de apenas se confessar, escrever sobre seus sentimentos. Recorrer mais aos sentidos, a sensações sensoriais (ficou estranho, né?) Por exemplo: descrever a luz do sol durante a golden hour e como você se sente ao contemplar essa imagem. Qual a sensação que a luz do sol causa em você, nos seus olhos, na sua pele.
Escrever rapidamente
No primeiro tópico, falei que, seguindo a maneira como Woolf escreveu em seu diário, devemos escrever sem expectativas literárias. Escrever sem pensar muito, economizando palavras para escrever mais rápido. Recorrer a símbolos, abreviações, não se preocupar com organização, precisão das palavras, perfeição gramatical. Esse tipo de preocupação trava, bloqueia a escrita.
refletir sobre a própria escrita
Use o espaço do diário para escrever sobre a sua dificuldade para escrever. Virginia Woolf fazia isso e eu também faço.
Fazer associações
Nosso pensamento não é linear. Ele é mais como um nó ou associações. Um pensamento leva a outro e assim por diante. Então, siga o fluxo que a sua mente te apresentar. Uma entrada pode se conectar a outra(s).
Esteja aberto a pensar
O diário é uma ferramenta, um espaço para a gente conversar consigo mesmos. Faça perguntas, escreva sobre seus sentimentos, preocupações, pensamentos, desejos, sobre sua saúde, seus relacionamentos. Ele também era um espaço para testar sua escrita ficcional. Às vezes, ela desenhava a estrutura de um romance como Mrs. Dalloway (1925) ou Ao Farol (1927), por exemplo. Ela fazia muitas descrições da natureza e de pessoas. Isso ajudava na hora de criar personagens ou descrever um ambiente.
Trechos dos diários de Virginia Woolf
Recém-chegada do Pentecostes em Rodmell, & prestes a sair para ver Nessa & Angelica na Gordon Square; daí que o meu diário ficará prejudicado; sufocado pelo excesso de via. O que ficou por registrar entope a minha caneta. (p. 52)
por outro lado, sobre o que devo escrever aqui a não ser sobre a minha escrita? É estranho como a moralidade convencional sempre entra pelo meio. Não se deve falar de si mesmo etc.; deve-se evitar a vaidade etc. Mesmo na mais completa privacidade esses fantasmas deslizam entre mim & a página. Mas agora preciso interromper para ir ao correio… (p. 71)
Com frequencia sinto os diferentes aspectos da vida estilhaçando minha cabeça em pedacinhos. (p. 54)
Como eu rabisco!; & que serventia tudo isso terá na minha idade avançada, quando eu escrever minhas memórias? (Woolf, 2023, p. 68)
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Ontem, deliberadamente, resolvi não escrever. Respeitei meu corpo. No domingo, meu marido, finalmente, decidiu trabalhar na nossa nova mesa de jantar.
A nossa mesa era de vidro, retangular, com 06 cadeiras. A mesa foi de um cliente dele. Quando vi a mesa, me apaixonei. Mas, meu senso estético foi mudando ao longo dos anos e ela passou a me incomodar. Eu passei a desejar uma mesa de madeira (madeira mesmo, não MDF e coisas do tipo), mas isso é bem caro. Em algum momento desses anos, minha sogra me deu um pé de mesa antigo, de madeira. Guardei. Desse mesmo cliente, trouxemos umas prateleiras que era de um móvel que ele tinha, tipo uma estante, e era madeira mesmo. Guardamos. Certo dia, olhando o Pinterest, vi uma mesa hexagonal e, automaticamente, ouvi o clic na minha cabeça. Posso usar as prateleiras que guardei para fazer. Mostrei a foto a meu marido e é óbvio que ele inventou motivos para não fazer a mesa. Enfim, anos depois, ele decidiu fazer a mesa. Passamos a manha de domingo lixando a base e o tampo. Depois, foi a vez de retirar a mesa antiga para dar espaço para a nova. Aproveitei e dei fim a um rack que estava se desfazendo por conta de uma pingueira. Óbvio que me arrependi de tudo porque tive que ajudá-lo. Estávamos sozinhos em casa. A lombar e o ciático reclamavam. Tomei remédio e fui fazendo as coisas devagar. Detalhe: dois dias antes havia feito uma limpeza na minha estante. Tirei vários livros para vender/ doar. A sala estava cheia de peças de carro, produtos para carro (tudo dele). Terminamos por volta das 20h da noite. Esqueci de mencionar que eu estava acordada desde às 4h da manhã. O movimento se estendeu à cozinha. Coloquei várias coisas que a gente fica guardando para momentos especiais para usar. O resultado ficou ótimo! Fiz até um cantinho do café na sala (antes ficava na cozinha).
Minha nova mesa de jantar
O texto não era para ser sobre isso. Esse breve relato era para ser o preambulo do texto, que já nem me lembro sobre o que seria.
Ah! Lembrei!
Então, eu estava dizendo que resolvi respeitar meu corpo cansado e não escrevi o texto de ontem para publicar aqui.
Quando acordei, meu corpo inteiro doía. Tomei café, escrevi no diário e peguei o Kindle para ler. Cochilei e dormi entre às 11h e 13h. Acordei pior. Com dor de cabeça. Ainda fomos buscar minha filha na casa do namorado. Eles foram pro carnaval e ela ficou doente.
Mas como não publiquei ontem, pretendo publicar dois textos hoje. No próximo texto, falarei sobre a rotina e a prática do diário de Virginia Woolf.
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Nesse pouco tempo (ao lado de anos de vida) que tenho escrevendo um diário, quando compartilho uma foto ou vídeo sobre ele, sempre recebo perguntas sobre o que escrevo, o que eu uso, qual caderno, qual caneta. Para mim, são perguntas tão simples… Mas às vezes, lembro que eu também faço perguntas que parecem simples, mas que não tenho certo conhecimento.
Foto de Polina no Pexels
Eu respondo o seguinte: escrevo o que está passando pela minha cabeça no momento em que escrevo, como se fosse uma transcrição simultânea. Escrevo em momentos diferentes do dia. Escrevo de manhã, enquanto tomo o café da manhã ou logo após o café. Mas ao longo do dia também vou registrando pensamentos, algo que li ou ouvi, recomendações de livros, músicas, filmes e séries. Faço listas de todos os tipos.
Para quem tem dificuldade de se abrir, porque a escrita do diário é meio que se abrir para você mesmo, existem prompts, listas com temas para escrever. Eu, particularmente, não gosto de usar esse tipo de ferramenta. Acho que perde um pouco da essência. Penso que é uma forma de se forçar a escrever.
Diários podem ser temáticos, temporários, como diário de férias, por exemplo, ou de viagem. Você não é obrigado a escrever um diário se não sente vontade de escrever um. Sinto que uma parte das pessoas acaba se sentindo “obrigada” porque todo mundo na internet está mostrando seus cadernos com capas de couro. Tem uma frase da Joan Didion no ensaio Sobre ter um caderno na coletânea de ensaios Rastejando até Belém, que acho que resume diaristas de não diaristas, embora ela não fosse adepta do diário. Ela diz:
Eu sinto que é exatamente isso. Um impulso de tomar notas, de escrever. Percebo que, hoje, eu uso o diário para pensar e não para registar um pensamento. Vou pensando enquanto escrevo. É exatamente o que estou neste momento em que escrevo estas palavras,
Não tenho pretensão de passar nenhuma dica que possa te ajudar a escrever um diário. Se você não consegue, talvez ainda não seja o seu momento, porque é como a Didion falou: é um impulso, uma necessidade de anotar. Colecionar cadernos. Mas você pode continuar tentando até que esse impulso surja em você. Acredito que quanto mais a gente escreve, sentimos maior necessidade de escrever. Portanto, se eu puder deixar uma dica, ela é: mantenha um caderno e uma caneta sempre com você. Em todos os momentos do dia (menos no banheiro, por favor!). Mas se você não sente esse impulso, essa necessidade, não se force. Existem outras formas de manter cadernos. Falarei sobre isso em outro post.
Por hoje, é isso.
Até amanhã!
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Referência:
Didion, Joan. Rastejando até Belém: Ensaios: Joan Didion. Tradução: Maria Cecilia Brandi São Paulo: Todavia, 1ª ed., 2021.