O vício de tomar notas

Acho que escrever é uma doença, um vício, uma necessidade.

Sei que essa “doença” esteve sempre comigo, mas, antes, eu tinha medo. Quando pensei nessa frase, pensei exatamente assim: "eu tinha medo de que lessem o que eu escrevia", mas, pensando bem, talvez o medo de manifestar a doença também estivesse ali. Se você já me acompanha, já leu outros textos meus, deve estar careca de saber que sempre gostei de cadernos, agendas, canetas e outros itens de papelaria. Em algum texto, contei que todo ano eu comprava agenda, mas ela sempre ficava em branco, assim como os adesivos ficavam intactos. Quanto aos cadernos escolares, eu tinha que usar, ne? Mas sempre customizei as capas com, pelo menos, fotos das bandas que eu gostava.


Hoje acordei cedo pensando em prosseguir na leitura de um livro para a minha dissertação, mas confesso que são 13:20 e ainda não iniciei essa atividade. Mergulhei em um trabalho manual. Sim! Mais uma capa para meus cadernos. Na verdade, comecei desmontando um caderno que eu havia feito com a proposta de centralizar tudo: diário + agenda + planejamento. De repente, me vi cortando e costurando pedaços de couro. Estou com as pontas dos dedos destruídas, além de ter quebrado duas agulhas. Desmanchei e montei novos cadernos.

A capa que fiz hoje

Num grupo de amigas virtuais que amam papel, uma das amigas compartilhou que costurou seu primeiro caderno. Ficou lindo! Mas o que é realmente lindo é a liberdade de ter o caderno que se quer. Por fazer meus próprios cadernos e usar métodos que permitem mudá-los sem que eles fiquem inutilizados eu posso estar sempre mudando. Parece que estou mudando, mas estou apenas refazendo. Passei a manhã nesse processo e quando terminei fiquei sem saber o que fazer. Uma sensação de vazio.

Comecei falando sobre o vício de escrever. Pode parecer exagero quando digo que eu sempre tenho um caderno comigo, mas não é. Exceto quando vou ao banheiro, em qualquer outro momento, há um caderno ao alcance da minha mão. E virou mania anotar cada pensamento, cada ideia. Claro que há dias em que escrevo menos. Nos últimos dias tem sido assim. Apenas registro o que tenho feito ou deixado de fazer.


Recentemente, li O romance luminoso (2018) de Mario Levrero e me identifiquei completamente com o personagem. O livro é, quase todo, sobre a tentativa de escrever o romance luminoso. Ele escreve o que fez e o que deveria ter feito, escrever o romance, mas a verdade é que ele passa noites criando e editando programas de computador para fazer pequenas atividades, ou fica vendo pornografia na internet. Minha pesquisa é sobre diários de escritores e, apesar de parecer que estou procrastinando, a pesquisa faz parte de mim porque eu sou diarista, escrevo um diário desde 2020. Leio diários, sou influenciada pelos diários que leio. De certa forma, influencio pessoas a escreverem diários ou lerem. Consegui até o feito de reunir algumas pessoas da minha cidade que também escrevem diários e tem interesse no assunto a formarmos um grupo e nos reunirmos. Contarei tudo assim que acontecer o primeiro encontro.

Mais uma vez voltando ao vício de escrever nos cadernos. Essa mania de registrar as coisas através de palavras vai se retroalimentando. Sinto que quanto mais escrevo, mais quero escrever. E quando sinto que não há o que escrever, crio listas.


Nunca usei prompts para escrever no diário. Prompts são como listas de assuntos sobre os quais você pode escrever, por exemplo: Como você está se sentindo agora? Como foi seu primeiro dia de aula no ensino médio?

Se você pesquisar por isso no Pinterest vai encontrar milhares de listas. Eu nunca quis utilizar, mas comecei a mudar de opinião.

Confesso que sou apaixonada por inglês. Em portugues, temos apenas uma palavra para o diário. Em inglês, temos duas. Journal e Diary.

Diary e o registro de tudo que aconteceu no dia. Que horas acordou, o que comeu no café da manhã, com quem conversou, o que fez, etc. Já o journal não é diário. É mais voltado para a reflexão, para dissecar um assunto, por exemplo. Vou tentar dar um exemplo real. Eu registro no diário que hoje eu pretendo terminar de ler o cap 2 de um determinado livro. O dia passou e eu não fiz isso, apesar de ter escrito que faria. Sei que não ter feito isso vai me incomodar e voltarei ao diário para falar sobre esse incômodo, para tentar entender porque eu não li o tal capítulo. 

Por isso, às vezes vemos gringas mostrando mais de um caderno porque para elas são atividades diferentes e para nós, não.

Penso que esse pode ser o motivo pelo qual muitas pessoas acabam não mantendo um diário. Por pensar que ele traz apenas as questões mais íntimas, aquelas que não contamos nem para nossas melhores amigas. Mas, como eu disse, o diário não é apenas isso.

Eu gosto de ter um diário no qual escrevo sobre o meu dia e me permito aprofundar na escrita, e outro caderno, o Bullet Journal, onde registro o meu dia. Assim, escrevo no BuJo todos os dias, mas há dias em que não escrevo no diário. Por sinal, os últimos dias tem sido assim por aqui. Apenas registrando, documentando o que aconteceu.

__________________

Apoie este espaço
Se você gostou do texto, considere apoiar a continuidade deste trabalho comprando produtos através dos meus links de associado, via Pix (chave: eualecosta@gmail.com). 
Seu apoio mantém este espaço vivo e em movimento. Muito obrigada!

Obs: O post contém link de afiliado. Isso significa que ao comprar qualquer produto a partir deste link, recebo uma pequena comissão (também é uma forma de apoiar o meu trabalho).. É uma forma de apoiar o meu trabalho (por enquanto, sem nenhum retorno financeiro) e você não paga a mais por isso. Muito obrigada!

Nenhum comentário:

Postar um comentário