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A viagem dos sonhos ou um estilo de vida?

Lendo o post da Jeniffer com o tema do mês no projeto Cadernos Compartilhados, lembrei desse sonho que está em espera: viajar de motorhome. Mas, na verdade, não quero apenas viajar. Quero morar num motorhome e sair pelo mundo sem data para voltar, sem roteiro rígido. Digo isso porque acompanho canais sobre motorhome e esse pessoal tem um objetivo de chegar em algum lugar, como o Alasca, por exemplo. Quero chegar lá? Sim, mas não como trabalho, sabe? Apenas ir e viver cada lugar com calma, sem pressa. Claro que compartilhando a experiência de viagem, pode acabar virando, sim, um trabalho. Acho que hoje em dia tudo descamba para esse lado, por isso tanta gente falando em produtividade. O sistema exige que a gente esteja sempre produzindo algo, que nem sempre gera um retorno financeiro. Não podemos esquecer que para produzir, precisamos investir: seja dinheiro, intelecto, força braçal ou tempo. Este blog é um exemplo disso. Dedico parte do meu dia a sentar para escrever. Para este texto chegar até você, preciso pensar sobre o que escrever, reler, editar, escolher uma imagem e publicar. Também há custo de energia, internet, desgaste do computador. Tudo sem retorno financeiro. O sistema exige a produtividade, mas não garante o retorno desse investimento. Enfim, o papo não é este.


Depois de alguns anos assistindo vídeos desses canais, lembrei que essa vontade surgiu quando era pequena e assisti a novela Ana Raio e Zé trovão na TV Manchete (antigo, muito antigo). Exibida originalmente de 12 de dezembro de 1990 a 13 de outubro de 1991 às 21h30, em 251 capítulos. (Fonte: Wikipedia). Lembro de assistir e pensar que quero morar num ônibus também.


O tempo foi passando e esqueci disso, afinal, ainda era criança naquela época. Depois, comecei a gostar de Fórmula 1. Era fã do Michael Schumacher. Quando ele se aposentou e várias regras mudaram, deixei de acompanhar. 


Mais um tempo se passou e passei a querer participar de Rally. Nunca consegui e hoje não sei se conseguiria. Muito movimento me causa dor de cabeça. E aí, conheço aquele que hoje é o meu marido, um apaixonado por carros antigos. Nos primeiros anos de relacionamento, eu ficava P da vida por causa da quantidade de tempo que ele passava mexendo no carro do pai. Não foi uma época fácil. 


Foto de Alfonso Escalante

Anos mais tarde, já próximo de agora, ele entrou num grupo de amigos que tem carros antigos e vão a eventos tanto em Salvador (onde todos moramos) quanto em cidades próximas. Meu marido é daqueles que quer que eu o acompanhe a todos os lugares. No começo, resisti, mas depois vi no grupo a possibilidade de fazer pequenas viagens de carro. Até então, as esposas também não participavam, mas quando os maridos começaram a falar que eu ia, elas começaram a ir.


Fonte: Acervo pessoal

Gosto de viajar de carro e ônibus, poder observar os lugares pelos quais passamos, as pessoas nas portas de suas casas na estrada ou nas cidades, a mudança na paisagem. Inclusive, tenho um canal que criei para documentar isso, mas está parado porque nosso carro foi furtado e ficamos um tempo sem carro. Compramos outro carro, mas, para meu marido, o carro ainda não está apresentável para participar dos eventos.


Estou tentando tirar esse sonho/projeto do papel, mas meu marido não é de se jogar nas coisas como eu. Por mim, já estaria na estrada morando em nosso carro mesmo, já que ainda não temos dinheiro nem para uma Kombi velha, quanto mais uma van. Quem sabe, um dia?


Enfim, este texto não tem um final. É apenas um despejo de uma ideia de texto para compartilhar com você, leitor.


Obrigada por ler até aqui. Veja você investindo tempo. Espero que, pelo menos, eu tenha despertado algo em você que possa ser visto como um retorno, ainda que não financeiro.


Até o próximo texto.


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