Desisti.
Se você já acompanha o blog, deve ter lido em posts anteriores que após mais de 10 anos voltei ao mercado de trabalho. Tomei a decisão sozinha ao receber a informação de que a empresa estava recrutando. Foi tudo muito rápido. Meu marido tem trabalhando muito, demais, na verdade, e eu me sinto um peso para ele (não apenas para ele). Passei por uma semana de treinamento e a semana passada já foi mão na massa. Optei por não estabelecer vínculos, então me mantinha afastada das pessoas falando apenas quando era questionada por alguém.
Durante a semana passada, a vontade de desistir era grande. Eu me via surtando no meio de todo mundo, mas, internamente, repetia para mim mesma que se outras pessoas conseguem, eu também consigo. Dizia a mim mesma para pebsar no quanto é bom ter meu próprio dinheiro, as coisas que eu poderia fazer, resolver a minha vida.
Durante o trabalho, eu até conseguia não ouvir essas vozes. Tenho duas vozes em conflito o tempo todo. Na verdade, não são apenas duas. Uma me diz para me acolher, que estou doente e me tratando. Outra me acusa de ser procrastinadora, preguiçosa. Outra me diz para sumir, desaparecer. E tem aquela que julga que tudo não passa de uma representação, que nada é real.
Na quinta, quando estava no ônibus, senti uma mudança em mim. Vontade de chorar, de sumir. Minha chefe notou. Perguntou se eu estava bem e respondi que mais ou menos. Meu marido também perguntou o que eu tinha e respondi que não era nada. Mas quando ele saiu do carro para comprar pão, chorei. Apesar disso, consegui me controlar. No sábado, acordei e estava sozinha em casa. Durante o café da manhã, comecei a chorar e não consegui parar. Mandei mensagem para meu marido. Ele largou o trabalho e veio me ver. Me amparou. Por fim, pedi demissão.
Queria muito conseguir continuar, ser uma pessoa “normal", uma pessoa adulta que trabalha, cuida da casa, do marido, dos filhos, que faz mestrado e que tenta escrever. Mas não consigo.
Pensei bastante se deveria ou não publicar este texto tão íntimo. Pensei em apagá-lo algumas vezes, mas falar (escrever, no meu caso) me faz bem. E sei que há outras pessoas tentando "ser normal", assim como eu. Pessoas que tem depressão, ansiedade e outros transtornos. A sensação de incapacidade é muito ruim. No fim, o que nos resta é tentar não sucumbir. Só há sentimentos e pensamentos negativos. Mas, por mais que a gente não acredite, não estamos sozinhos.
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